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Explicando política às crianças

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Meninos, meninas, vou lhes contar como tudo começou, do jeito como me ensinaram. Há muitos milênios atrás ( um milênio são mil anos! ), antes mesmo que a roda tivesse sido inventada, a vida era uma pancadaria generalizada, pauladas, pedradas, furadas ( eram feitas com paus pontudos; ainda não haviam descoberto um jeito de fazer flechas com pedras lascadas), cada um por si, cada um contra todos. Um famoso pensador chamado Hobbes disse que era um estado de “guerra de todos contra todos”. Não havia leis. As leis servem para proibir aquilo que não pode ser feito. Assim, cada um fazia o que queria. Roubar não era crime porque não havia uma lei que dissesse “é proibido roubar”. Matar não era crime porque não havia uma lei que dissesse “ é proibido matar”. E não havia pessoas encarregadas de fazer cumprir a lei: juizes, polícia. É para isso que a polícia existe: para impedir que a lei seja quebrada e para proteger os cidadãos comuns. Quem tivesse o porrete maior era o que mandava. Houve até um famoso presidente dos Estados Unidos que explicou o seu jeito de governar: “Falar manso e ter um porrete grande nas mãos…” Os jeitos primitivos continuam ainda em vigor.

É fácil entender. Imaginem uma coisa doida: um jogo de futebol em que não haja regras e nem haja um juiz que apite as faltas. Tudo é permitido. Tapas, murros, rasteiras, xingamentos, levar a bola com a mão, mudar de time no meio do jogo. Ao final de cada jogo o número de mortos e feridos é grande. Os amantes de futebol queriam continuar a jogar futebol, mas sem medo da violência.

Eles se reuniram e disseram: “Não é possível continuar assim. Vamos fazer regras para o futebol. E vamos ter, no campo, um homem que faça com que as regras sejam cumpridas.” E assim fizeram. E o futebol se transformou num jogo civilizado ( às vezes…)

Pois os homens daqueles tempos chegaram à mesma conclusão. Não valia a pena continuar a viver daquele jeito. Eles se reuniram numa grande assembléia e chegaram a um acordo: “Só há uma solução. É preciso que cada um deixe de fazer o que lhe dá na telha. Precisamos leis. Mas, para ter leis, precisamos de um homem que faça as leis. E não só isso: um homem que tenha o poder para punir todos aqueles que quebram a lei”.

Os homens, assim, abriram mão das suas pequenas vontades individuais para poderem viver uns com os outros em paz. E para que houvesse um homem que fizesse as leis e punisse os criminosos eles escolheram um que seria o seu Rei, ele e os seus descendentes. O Rei teria que ser aquela pessoa que reinaria para a paz dos homens comuns, os seus súditos. O Rei teria de ser uma pessoa que, ao mesmo tempo, combinasse sabedoria e força. Sabedoria para fazer as coisas certas. E força para que punisse os malfeitores. Em toda situação há sempre os malfeitores, aqueles que quebram as leis. Também no futebol há os malfeitores. No futebol os malfeitores são aqueles que quebram as regras, aqueles que, pensando que o juiz está distraído, dão rasteiras e tentam fazer gols com a mão. Se o juiz ficar desatento e não apitar as faltas a partida de futebol vira pancadaria.

Mas esses homens que elegeram o Rei eram ruins em psicologia. É sempre assim: em período de eleição todos os candidatos se apresentam como honestos, puros, pessoas que só desejam o bem do povo. Mas o povo não conhece psicologia. Acredita naquilo que lhes é dito. Não sabem que essas falas dos candidatos são como a isca no anzol do pescador. O seu objetivo é apenas “fisgar” o voto do povo. E esses puros, uma vez no poder, passam por horríveis transformações. Belos, transformam-se em Feras. Aconteceu assim com os Reis, tão bonitos, tão honestos, antes de terem a coroa na cabeça e a espada na mão. Mas uma vez no poder transformaram-se em Tiranos. Tiranos são aqueles que, esquecidos do povo, impõem a sua vontade sobre ele. Assim os Reis esqueceram-se do povo e passaram a pensar só neles mesmos. Se eles eram aqueles que fazem as leis, e se eles eram aqueles que tinham a espada na mão, não havia ninguém que os punisse. Eles cometiam suas maldades protegidos pela impunidade. Tendo poder para fazer as leis, eles as fizeram só em seu benefício, leis que obrigavam o povo a pagar impostos pesados. Imposto é um dinheiro que o povo tem de pagar ao governo para administrar o país. Tudo estaria bem se o dinheiro dos impostos fosse usado para o bem do povo. Mas não foi isso que fizeram. Usaram o dinheiro do povo para si mesmos.

Construíram palácios com jardins, gramados e piscinas, deram banquetes, não só eles mas todos os membros da corte que assim se locupletaram. Todos ficaram ricos. O povo ficou mais pobre, mais sofrido. Aprendam isso: as pessoas mais cheias de boas intenções, quando têm o poder e o dinheiro na mão, esquecem-se delas. Ficam deslumbradas com o poder e passam a pensar só nelas mesmas. O poder e o dinheiro corrompem.

Foi assim durante muitos séculos. Até que o povo perdeu as esperanças. Os reis, que haviam sido objetos da sua admiração, tornaram-se objetos do seu desprezo. Seu perfume se transformou em fedor. Não, os Reis jamais pensariam no bem do povo. Aí o povo pensou: “Não fomos nós que escolhemos o Rei? Se ele está no trono é só porque nós queremos! Ele não está no trono pela vontade dos deuses! Se fomos nós os que o colocamos no trono, temos o direito de tirá-lo de lá”. O povo então se enfureceu, saiu às ruas, pegou em armas, fez revoluções e tirou o Rei do trono. Esse direito do povo, de tirar os Tiranos do poder, pela força, até foi louvado pela mais humilde e a mais santa das mulheres, Maria, mãe de Jesus. Cantando o amor de Deus ela disse que ele “derrubou dos seus tronos os poderosos e exaltou os humildes.” ( Lucas 1:52).

Mas esse direito de tirar os reis dos tronos transformou-se em crueldade. Na Revolução Francesa o rei e a rainha foram guilhotinados. Na Rússia os revolucionários fuzilaram toda a família real, inclusive as crianças.

Voltou-se então ao estado original: não havia quem ditasse leis e as fizesse cumprir, para a paz do povo. Havia o perigo de que se estabelecesse a condição primitiva de “guerra de todos contra todos”. Há de haver quem faça as leis e garanta o seu cumprimento. Mas o povo havia aprendido uma lição: poder por toda a vida, como o que era dado aos reis, só produz tirania e corrupção. É muito perigoso dar poder absoluto a uma pessoa só.

Por que o jogo de futebol é possível? Jogadores, bola – tudo bem. Mas não basta. Há de haver regras. E como se estabelecem regras? As pessoas interessadas se ajuntam e fazem um “contrato”. “Contrato” é um documento que estabelece as regras, com o acordo de todos. Esse contrato contém as regras do jogo que todos devem obedecer. Todas as relações entre os seres humanos são reguladas por contratos. O casamento é um contrato, a compra de uma casa é um contrato, a matricula de um aluno numa escola se faz por meio de um contrato. Quando um povo inteiro quer estabelecer as regras de sua convivência, esse contrato tem o nome de “Constituição”. O Brasil tem uma “Constituição”.

O espaço chegou ao fim e na próxima crônica vou falar sobre a “Democracia” que é o sistema de governo em que quem faz as leis é o povo. Pelo menos, é assim que deveria ser.

por Rubem Alves

A Alma Sensível das Plantas

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Este é um texto de autoria do saudoso escritor e senador Arthur da Tavola. Leia com atenção. Você vai gostar.

“Elas sentem, elas sabem. Ficam nervosas, tensas, desmaiam ou florescem de alegria e felicidade, se tratadas com amor. Adoram música. Reagem ao pânico. Adivinham males que lhes vão fazer os homens.

O avanço da ciência provou a sensibilidade das plantas em experiências de laboratório.

Com aparelhos precisos, cientistas deram-se o maravilhoso ofício de aprender, compreender e se comunicar com os vegetais.

Vão descobrir um dia que as plantas sabem mais de nós que nós delas. Os primeiros astronautas foram botânicos.

As plantas, elas sim, vieram à Terra para conhecer e contar para Deus. A rosa veio de Vênus.

Fico pensando na grandeza do silêncio das plantas, por séculos e séculos compreendendo a agitação daquele bicho bípede à sua volta, o ser humano, bicho falante, bicho brigador, ansioso e rápido, capaz de amá-las tanto quanto as destruir, igualzinho e como faz consigo mesmo.

No dia em que se esclarecer a sintonia planta-homem (e se a sabedoria popular consagrou a expressão ‘‘fulano é um seca-pimenteira’’, a intuição andou uma vez mais na frente da ciência), a vida na Terra ganhará novas e espantosas possibilidades de alimentação, felicidade, harmonia, remédios, energia e conhecimento.

E o galho de arruda que a mesma sabedoria popular fez colocar na orelha?

E as ervas? E as crendices perdidas no tempo associadas às plantas?

E o mistério de beleza e sabedoria oferecidos ao homem como prova de amor através das flores?

Por que será que o ser humano sente-se tão bem na natureza?

Sente e não discute, não pensa, não cogita.

Sente e consome.

Curte e vai embora.

Que complô secreto ou sortilégio misterioso destilam fluidos capazes de recompor psiquismos, cicatrizar cansaços, ver renascerem relações profundas consigo mesmo em pacificadora harmonia cósmica, quando estamos entre as palavras ou árvores?

Por quê?

Eu sei.

É porque as plantas conseguem o que o homem não consegue: elas nos compreendem… “

O nome feio

terça-feira, 9 de abril de 2013

No meu tempo… Parênteses: sempre que um cronista começa a crônica com “no meu tempo” significa que está sentimentalizando sua velhice para não precisar lamentá-la, o que não interessaria a ninguém. No meu tempo, como eu dizia quando me interrompi tão rudemente, ler ou ouvir um “nome feio” fora de contexto era sempre uma felicidade.

Me lembro da minha surpresa ao descobrir que havia nomes feios nos dicionários. Agradávamos aos nossos pais, dando a impressão de que fazíamos uma pesquisa etimológica séria no dicionário, quando na verdade estávamos procurando “bunda”. No meu tempo, entre parênteses, “bunda” era nome feio.

Em Porto Alegre, há muitos anos, existia uma loja chamada Casa Carvalho. O nome da loja aparecia em letras aplicadas à sua fachada e, dependendo da sua faixa etária e da sua disposição para pensar em bobagem, você ou pertencia ao grupo que vivia em alegre expectativa do dia em que o “v” de “Carvalho” caísse, ou ao grupo mais velho que vivia em sobressalto com a possibilidade de isto ocorrer.

Que eu me lembre, o desejado ou temido nunca aconteceu e a loja chegou ao fim dos seus dias com o “Carvalho” intacto. Mas, durante toda a sua existência, apenas aquele pequeno detalhe separou o estabelecimento do vexame e a cidade de um abalo moral.

No Rio, entre Copacabana e Ipanema, existe uma rua que eu já ouvi ser chamada de “Quase, quase”. Trata-se da Bulhões de Carvalho, que depende apenas de uma letra para deixar de ser um nome de família e se transformar numa raridade anatômica. No meu tempo isto seria motivo para muita risada, mas como hoje não existe mais “nome feio”, e até em conversa de criança palavrão é usado como pontuação, perdeu a graça.

Posso imaginar um avô atual chamando a atenção do neto para a consequência de um único erro de grafia no nome da rua e o neto fazendo uma cara de “Me poupe”.

Eu e o hipotético avô acima pertencemos à última geração que espantou o Condor, o que explica nossa ingenuidade. Na apresentação dos filmes da distribuidora Condor aparecia um pássaro condor na beira de um precipício pensando em alçar voo, e era comum, era quase obrigatório, a plateia espantar o condor, que sem este incentivo jamais voaria.

Nunca mais se espantou o condor, se é que o condor ainda existe. Olha aí, acabei me lamentando.

por Luiz Fernando Veríssimo

Meu inferno mais íntimo

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Um jovem rabino, angustiado com o destino da sua alma, conversava com seu mestre, mais velho e mais sábio, em algum lugar do Leste Europeu entre os séculos 18 e 19.

Pergunta o mais jovem: “O senhor não teme que quando morrer será indagado por Deus do porquê de não ter conseguido ser um Moisés ou um Elias? Eu sempre temo esse dia”.O mestre teria respondido algo assim: “Quando eu morrer e estiver na presença de Deus, não temo que Ele me pergunte pela razão de não ter conseguido ser um Moisés ou um Elias, temo que Ele me pergunte pela razão de eu não ter conseguido ser EU MESMO”.Trata-se de um dos milhares de contos hassídicos, contos esses que compõem a sabedoria do hassidismo, cultura mística judaica que nasce, “oficialmente”, com o Rabi Baal Shem Tov, que teria nascido por volta de 1700 na Polônia.

A palavra “hassidismo” é muito próxima do conceito de “Hesed”, piedade ou misericórdia, que descreve um dos traços do Altíssimo, Adonai (“Senhor”, termo usado para se referir a Deus no judaísmo), o Deus israelita (que, aliás, é o mesmo que “encarnou” em Jesus, para os cristãos).

Hassídicos eram conhecidos como “bêbados de Deus”, enlouquecidos pela piedade divina (e pela vodca que bebiam em grandes quantidades para brindar a vida…) que escorre dos céus para aqueles que a veem.

São muitas as angústias de quem acredita haver um encontro com Deus após a morte. Mas ninguém precisa acreditar em Deus ou num encontro como esse para entender a força de uma narrativa como esta: o primeiro encontro, em nossa vida, que pode vir a ser terrível, é consigo mesmo. Claro que se Deus existe, isso assume dimensões abissais.

Para além do fato óbvio de que o conto fala do medo de não estarmos à altura da vontade de Deus, ele também fala do medo de não sermos seres morais e justos, como Moisés e Elias, exemplos de dois grandes “heróis” da Bíblia hebraica. Ser como Moisés e Elias significa termos um parâmetro moral exterior a nós mesmos que serviria como “régua”.A resposta do sábio ancião ao jovem muda o eixo da indagação: Deus não está preocupado se você consegue seguir parâmetros morais exteriores, Deus está preocupado se você consegue ser você mesmo.

Não se trata de pensar em bobagens do tipo “Deus quer que você seja feliz sendo você mesmo” como pensaria o “modo brega autoestima de ser”, essa praga contemporânea. Trata-se de dizer que ser você mesmo é muito mais difícil do que seguir padrões exteriores porque nosso “eu” ou nossa “alma” é nosso maior desafio.

Enfrentar-se a si mesmo, reconhecer suas mazelas, suas inseguranças e ainda assim assumir-se é atravessar um inferno de silêncio e solidão. Ninguém pode fazer isso por você, é mais fácil copiar modelos heroicos, por isso o sábio diz que Deus não quer cópias de Moisés e Elias, mas pessoas que O enfrentem cara a cara sendo quem são.

Podemos imaginar Deus perguntando a você se teve coragem de ser você mesmo nos piores momentos em que ser você mesmo seria aterrorizante. Aí está o cerne da “moral da história” neste conto.

Noutro conto, um justo que morre, chegando ao céu, ouve ruídos horrorosos vindo de uma sala fechada. Perguntando a Deus de onde vem aquele som ensurdecedor, Deus diz a ele que vá em frente e abra a porta do lugar de onde vem a gritaria. Pergunta o justo a Deus que lugar seria aquele. Deus responde: “O inferno”. Ao abrir a porta, o justo ouve o que aqueles infelizes gritavam: “Eu, eu, eu…”.Ao contrário do que dizia o velho Sartre, o inferno não são os outros, mas sim nós mesmos. Numa época como a nossa, obcecada por essa bobagem chamada autoestima, ocupada em fazer todo mundo se achar lindo e maravilhoso, a tendência do inferno é ficar superlotado, cheio de mentirosos praticantes do “marketing do eu”.Casas, escritórios, academias de ginásticas, igrejas, salas de aula, todos tomados pelo ruído ensurdecedor do inferno que habita cada um de nós. O escritor católico George Bernanos (século 20) dizia que o maior obstáculo à esperança é nossa própria alma. Quem ainda não sabe disso, não sabe de nada.

por Luiz Felipe Pondé

NOTA DO BLOG:

No Judaísmo existe uma escola rebelde de mistério chamada Hassidismo. Seu fundador, Baal Shem (ao lado), era um ser estranho. A meia-noite voltava do rio. Essa era sua rotina, porque no rio, de noite, havia uma calma e uma quietude absolutas. Sentava-se ali, sem fazer nada – apenas observando o seu próprio ser; observando o observador. Essa noite, quando voltava, passou pela casa de um homem rico e o vigilante estava de pé frente à porta. O vigilante estava intrigado porque a cada noite, exatamente a mesma hora, voltava esse homem. Saiu e disse:

- “Perdoe-me a interrupção, porém já não posso conter minha curiosidade. Uma pergunta me persegue dia e noite. O que fazes ? Para que vais ao rio ? O segui muitas vezes e não há nada; a única coisa que fazes é sentar-se ali horas e horas, e depois voltas à meia-noite”.

Baal Shem respondeu:

- “Já sei que me seguistes várias vezes, porque a noite é tão silenciosa que pude ouvir teus passos. E sei que todos os dias te escondes atrás do portão. Porém não apenas sentis curiosidade por mim, eu também sinto curiosidade por ti. O que fazes?”  O guardião contestou:

- “A que me dedico? Sou um simples vigilante.

”Então Baal Shem lhe disse:

- “Deus meu, me falastes a palavra chave. Minha ocupação é essa também.”

O guardião disse:

- “Porém não entendo; se és um vigilante terias que estar vigiando alguma casa, algum palácio. Que estás vigiando sentado na areia do rio?”

Baal Shem respondeu:

- “Existe uma pequena diferença: você vigia que nada de fora entre no palácio; eu simplesmente vigio a este vigilante. Quem é esse vigilante. Esse é o esforço de toda a minha vida; vigio a mim mesmo.”

O guardião lhe disse:

- “Porém esse é um trabalho muito raro ! Quem lhe vai pagar?

E ele respondeu:

- “A felicidade é tanta, o gozo é tão grande, é uma benção tão imensa que é uma recompensa em si mesma. Apenas um momento e todas as riquezas do mundo não são nada em comparação.”

O vigilante disse:

- Isso é muito raro…eu passei a vida vigiando e jamais topei com uma experiência tão formosa. Amanhã à noite vou acompanhar-te, quero que me ensines, porque eu sei como vigiar, porém me parece que faço isso numa certa direção e você olha para uma direção diferente.”

Pensamento do dia: “Mais vale escrever a coisa certa com as palavras erradas que escrever a coisa errada com as palavras certas…” (Patativa do Assaré)

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Antonio Gonçalves da Silva (Patativa do Assaré)

Memórias Espirituais de um Gato

segunda-feira, 25 de março de 2013

“Os seres humanos têm o dom de tornar longo e complicado o caminho da felicidade, mesmo quando ele poderia ser curto e óbvio. Os animais fazem tudo de forma simples. Se amam, demonstram de forma explícita. Se não amam, não fazem a menor questão de disfarçar. Também sabem como ir direto a seus objetivos, sem criarem barreiras emocionais que só dificultam as coisas. Quando se sabe que a vida é bem curta, faz-se o que se pode para viver intensamente cada minuto. Com os gatos é assim que funciona”.

Quando resolvi escrever este livro, a idéia era apresentar um gato que contava sua própria história e através dele demonstrar que os animais possuem idéias e sentimentos.Entretanto, logo no início da narrativa, senti vontade de relatar experiências com outros animais que passaram pela minha vida e que me marcaram de alguma forma, seja por serem apenas especiais, seja porque sofreram algum tipo de… violência que deve servir de exemplo para que outras pessoas ajam com maior sensibilidade diante de situações semelhantes.A melhor amiga do gato Jack é a cachorra Bela, que na vida real é minha pit bull Tiffany. Tive que selecionar algumas peripécias que ela cometeu, pois se tivesse que contar todas, teria que mudar o título do livro, pois a quantidade de páginas a transformaria na protagonista da história.Se com este livro, eu conseguir tocar profundamente o coração de pelo menos dez pessoas, poderei concluir que valeu a pena escrevê-lo, pois contando comigo seremos onze a acreditar e propagar que a vida espiritual não é privilégio dos homens, e que os animais pouco tempo depois de deixarem as vestes físicas logo retornam, e depende apenas de nós reencontrá-los para lhes dar uma nova oportunidade de compartilharem de nossas vidas. Qual o segredo para isso? Apenas o magnetismo do amor.

As pessoas que já perderam um animal de estimação sempre me questionam sobre a teoria da reencarnação no oitavo dia. Essa idéia, que difundi no meu primeiro livro, Anjos de Luz, trago agora em Memórias Espirituais de um Gato, como uma certeza que poderá servir de bálsamo ao coração de todos aqueles que aprenderam a amar seu bichinho como alguém da família.

Gostaria de esclarecer que, muito embora se trate de uma teoria inédita, não compartilhada pela doutrina espírita, não há contradição com nada do que foi ensinado pelo mestre Allan Kardec.

É inegável que os animais, como nós, possuem espírito.

Quer um exemplo? Não sabemos que, durante o sono, nossa alma se “destaca” do corpo, naquilo que chamamos de viagem astral? Todos já tivemos aquela sensação de parecer cairmos quando estamos em estado de sonolência e acordamos repentinamente.

Você já observou seu cachorro ou seu gatinho dormindo?

Os animais experimentam da mesma experiência dos seres humanos durante o sono. O mesmo acontece quando da morte do corpo.

Eles também possuem espírito, e o livro Memórias Espirituais de um Gato mostra exatamente as experiências felinas ligadas ao trajeto entre os mundos físico e espiritual, a morte, os contatos extra-sensoriais e, acima de tudo, a acentuada sensibilidade dos gatos.

A reencarnação dos animais no oitavo dia não é apenas uma teoria. É uma certeza fruto de anos de estudo e de minha própria experiência com vários animais que já tive.

O protagonista Jack representa tudo aquilo que já observei em meu gato. Eu diria que foi ele quem contou a história. Apenas transcrevi, tomando cuidado para não permitir que minhas limitações humanas pudessem interferir na pureza de uma narrativa felina.

Espero agradar aos que compartilham da mesma crença e ao menos conduzir ao questionamento aqueles que desacreditam.

O importante, acima de tudo, é traçar com amor os caminhos que trilhamos ao lado de nossos irmãos peludos. Estamos aqui para protegê-los e aprender com eles.

Jack não é apenas a história de um gato azul. É uma busca incansável pelo despertar de uma consciência maior nas pessoas, a certeza de que não somos os donos do planeta. O mundo espiritual é muito mais complexo e maravilhoso do que podemos imaginar.

Fonte: Memórias Espirituais de um Gato (Aurea Gervasio)

Como definir Felicidade?

segunda-feira, 25 de março de 2013

Se tudo na vida é relativo,
Relativa também é a idéia
Que cada um faz da felicidade.

Para uns, felicidade é
Dinheiro no bolso,
Cerveja na geladeira,
Roupa nova no armário.

Para outros a felicidade
Representa o sucesso,
A carreira brilhante,
O simples fato de se achar importante
(ainda que na verdade as coisas não sejam bem assim).

Para outros tantos,
Ser feliz é conhecer o mundo,
Ter um conhecimento profundo
Das coisas da Terra e do Ar.

Mas para mim, ser feliz é diferente
Ser feliz é ser gente,
É ter vida,
Que como dizia o poeta:
” É bonita, é bonita e é bonita…”

Felicidade é a família reunida,
É viver sem chegada, sem partida,
É sonhar, é chorar, é sorrir…

Felicidade é viver cercado de amor,
É plantar amizade, é o calor
Do abraço daquele(a) amigo(a),
Que mesmo distante,
Lembrou de dizer: “Alô”

Ser feliz,
É acordar às cinco da matina,
Depois de ter ido dormir
às três da madrugada,
com sono e pra lá de cansado,
só pra dar uma pontinha da cama, pro filho
(ou pra cachorra) dormir.

Ser feliz é ver todo dia
Um sorriso de criança,
É musica, é a dança,
É a paz, é o prazer
De descobrir a cada dia
Que a vida se inicia novamente,
A cada amanhecer.

Ser feliz é ter violetas na janela,
É chá de maçã com canela,
E pipoca na panela,
E um CD bem mela-mela,
Para esquentar o coração.

Ser feliz é curtir sol radiante,
Frio aconchegante,
Chuvinha ou temporal.

Ser feliz é enxergar o outro
(E sabe lá quantos outros, que cruzam nossa estrada).

Ser feliz é fazer da vida,
Uma grande aventura,
A maior loucura,
Um enorme prazer.

Ser feliz é ser amigo(a),
Mas antes de tudo é ter amigos(as),
Maravilhosos(as),
Exatamente assim,
Como VOCÊS.

Enviado pelo amigo Zeca Fernandes (autoria desconhecida)

Gato que brincas na rua, invejo a sorte que é tua

segunda-feira, 25 de março de 2013


gatopessoa (11K) Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.

Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.

És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu
Eu vejo-me e estou? sem mim,
Conheço-me e não sou eu.

Fernando Pessoa gatico (7K)