Arquivo da Categoria ‘História’

Em crônica publicada no jornal “Gazeta do Povo”, o escritor Domingos Pellegrini descreve com maestria o professor de História. Com “H” maiúsculo. Segue na íntegra:

quarta-feira, 20 de março de 2013

O professor de História, no seu primeiro dia de aula, entra e os alunos nem percebem, conversando, falando ou jogando no celular. Ele escreve na velha lousa um imenso H, e depois vai desenhando cabeças com bigodes e barbas, enxada, foice. A turma foi prestando atenção, trocando risinhos, e agora espera curiosa. Finalmente ele fala:

– Não vamos estudar aquela História com H, só com heróis e grandes eventos! Vamos estudar a partir da nossa história, daonde e como viemos. Por exemplo, como é seu sobrenome?

– Oliveira.

– Pois é, muitos Oliveiras têm esse nome porque eram imigrantes europeus, fugidos de perseguições religiosas, então adotavam nomes de árvores ou plantas, Oliveira, Pereira, Trigueiro e tantos outros. E o seu sobrenome?

- Santos.

– Foi o nome adotado por muitos ex-escravos ou filhos mestiços de fazendeiros com escravas. Você é, como diz o IBGE, pardo, o que não é vergonha nem demérito algum, ao contrário, a maioria do povo brasileiro é pardo. E o seu sobrenome?

– Vicentini.

– Origem italiana. Os italianos, como os espanhóis, alemães, japoneses, vieram para cá para bater enxada, trabalhar nos cafezais quando os escravos foram libertados.

O engraçadinho da turma levanta o braço:

– Meu sobrenome é Silva, professor. Tem mais Silva na lista telefônica que formiga em formigueiro. Daonde eu vim?– Da selva. Silva é selva, em latim. Foi o nome dado pelos romanos antigos aos que vinham das florestas para morar na cidade, eram os “da selva”. Se a gente pensar que a maioria das pessoas morava no campo há meio século, e depois se mudou em massa para as cidades, a origem do nome até se justifica.

A turma espera em silêncio: aonde ele quer chegar?

– Proponho o seguinte. Vocês conversem com seus pais, avós, tios, para saber dos antepassados. Daonde vieram, por que, trabalharam e viveram onde e como. Cada um contará então a história de sua família, e daí vamos situar essa história familiar na história social. Vamos falar da cafeicultura, por exemplo, depois que alguém falar que seu avô trabalhou com café.

Uma mocinha levanta a mão:

– Não só meu avô, professor, minha avó conta que também trabalhava. Levantava às cinco, fazia café, dava de mamar ao nenê, porque ela diz que sempre tinha um nenê no ombro, outro na barriga e uma criança na barra da saia. Depois de fazer o café e tratar das galinhas, recolher os ovos, tirar leite das vacas e cuidar da horta, ela ia levar marmita pro meu avô e os filhos maiores no cafezal, e ficava lá também batendo enxada até o meio da tarde, quando voltava pra preparar e janta e…– Bem, só com isso que você contou podemos estudar a cafeicultura e o feminismo, comparando as famílias daquele tempo e de hoje, tantas mudanças. Cada um de vocês, com sua história, vai acender o fogo do conhecimento em cada aula. Eu só vou botar lenha, dar as informações, vocês vão dar vida à História, que aí, sim, vai merecer H maiúsculo! Combinado?

Os alunos aplaudem, entusiasmados, comentam: nossa, massa, uau, professor maneiro!… Saem, e depois ele, saindo, dá com o diretor nervoso:

– Eu ouvi sua aula, professor, aqui ao lado da porta, como faço com todo novato! O senhor tire essas ideias da cabeça, viu? Vai ensinar conforme o programa, começando pelo descobrimento, as três caravelas, a calmaria etc. Entendido? Ora, onde já se viu, História viva… Só por cima do meu cadáver!O professor novato vai pelo corredor, sentindo-se morrer por dentro. Na sala dos professores, nas paredes estão Tiradentes e o crucifixo de Jesus, dois mártires. Ele chora, perguntam por que, apenas consegue dizer “não é nada, é uma longa História”.

Fonte: Blog do Dodó Macedo

Hoje, ela estaria completando 102 anos. Maria Gomes de Oliveira, a Maria Bonita, nasceu num 08 de março. O ano? 1911.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Maria Gomes de Oliveira, conhecida como Maria Bonita, nasceu no dia 08 de março de 1911, é considerada a primeira mulher a entrar para um bando de cangaceiros e foi a companheira de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião.

A SÃO PAULO QUE DEIXOU SAUDADES

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

LARGO DA SÉ – 1904

Em destaque a antiga Igreja de São Pedro das Pedras, na esquina da rua Floriano Peixoto. No fim desta rua, parte do Solar da Marquesa de Santos.
A rua Floriano Peixoto teve o nome primitivo de rua da Fundição pois abrigava os fundos da Casa da Fundição dos Reais Quintos de São Paulo, que tinha entrada pelo Pátio do Colégio. A instituição começou a funcionar no local em 1730. Fechada e reerguida em 1751, manteve-se em atividade até 1762, foi abolida e depois reaberta, para ser desativada definitivamente em 1818. A troca de nome da rua, homenagem ao presidente da República Floriano Peixoto, deu-se a 1º de agosto de 1907.
A Igreja de São Pedro da Pedra (ou dos Clérigos) foi demolida em 1911 e em seu lugar foi construído o edifício Rolim, existente até hoje.

1902

Vista da Estação da Luz, tomada da Igreja de São Cristóvão, à época integrada ao Seminário Episcopal.
No primeiro plano, à esquerda, vê-se a passagem dos trilhos da São Paulo Railway sob o nível do pontilhão que leva à rua Brigadeiro Tobias,
e as edificações da rua da Estação (depois rua Mauá).
No centro, ao fundo, pode-se ver a torre da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, situada à alameda Glete, nos Campos Elíseos.
E, à direita, em primeiro plano o largo do Jardim, ponto inicial da avenida Tiradentes, seguido de parte do Liceu de Artes e Ofícios, obra
de Ramos de Azevedo atualmente ocupada pela Pinacoteca do Estado, e o Jardim da Luz.
1905
Vista do Clube de Regatas São Paulo, situado nas imediações da Ponte Grande (atual Ponte das Bandeiras).
Fundado em 1903 às margens do rio Tietê, foi um dos primeiros centros esportivos da cidade, sendo sucedido
em 1907 pelo Clube de Regatas Tietê.
SP

1920
Vista do Teatro Municipal e da praça Ramos de Azevedo, provavelmente a partir do edifício da Light.
Com as obras iniciadas em junho/1903, foi inaugurado em 12/setembro/1911 com apresentação da ópera Hamlet, diante de
seus 1.816 lugares lotados e grande congestionamento de automóveis nos arredores.


1920
Rua 15 de Novembro, em direção à praça da Sé, tomada da praça Antonio Prado.
Uma das principais vias públicas da cidade, onde se achavam luxuosos comércios, os mais elegantes pontos de encontro além
de grande número de estabelecimentos bancários e profissionais, formava com as ruas Direita e São Bento o chamado “triângulo”,
região de grande concentração de lazer e negócios.
1902

Vista da avenida Paulista, no sentido da Consolação, a partir do palacete de Adam von Bülow, situado entre as
alamedas Campinas, que se vê no primeiro plano, e a Joaquim Eugênio de Lima. O palacete foi substituído pelo
edifício Paulicéia, existente ainda hoje no local. No horizonte, o Morro do Jaraguá.
A avenida foi inaugurada em 1891 com seus quase 3 km de extensão e 30 m de largura, por vários anos sem energia
elétrica e sem calçamento e, em pouco tempo, tornou-se o ponto mais aristocrático da capital, reunindo a elite paulista,
que ali construiu suas sofisticadas mansões.

1920
Vista frontal do Mosteiro de São Bento e do largo de mesmo nome.
O novo edifício, que substituiu o primitivo mosteiro, teve sua pedra fundamental lançada em 13 de novembro de 1910 e sua cerimônia de sagração em 1922. À direita pode-se ver o início da rua Florêncio de Abreu.

1920
Vista do largo de São Bento, em direção à rua São Bento e à Igreja de São Francisco, cujo frontão pode-se vislumbrar ao fundo.
O casario que se vê à esquerda mantém-se até os dias de hoje com as mesmas características, da mesma forma ocupado por
estabelecimentos comerciais.
No centro, à esquerda, na esquina com a rua Boa Vista, vê-se o prédio do famoso Hotel d’Oeste, reconstruído após incêndio
de 1901 e, à direita, área que fora do jardim, agora tomada pelos automóveis.
1915
Vista de uma das pontes metálicas da praça da República, ainda lá existente, apesar das inúmeras transformações ocorridas na praça.

1920
Vista em perspectiva do Palacete Prates, a partir do Viaduto do Chá.
Construído em 1911 e adaptado em 1913 para abrigar o Automovel Club, foi demolido em 1950.
Atualmente, no local está o edifício Conde Prates, inaugurado em 1957.
1912
Vista da rua 15 de Novembro, na confluência com o largo da Sé. No centro da imagem está o edifício da Casa Lebre, na esquina com a rua Direita, e a Casa Baruel, no edifício com a cúpula. No edifício da direita, funcionava o antigo Café Girondino.

por Guilherme Gaensly
O artista suíço (1843-1928) foi um dos principais fotógrafos da entrada do século XX em São Paulo, quando, a serviço de companhias como a São Paulo Tramway, Light & Power, documentou as intensas mudanças urbanas. Mesmo tendo iniciado suas atividades em Salvador, estão em terras paulistas as imagens que se multiplicaram com sua assinatura, como casarões cafeeiros do interior e mansões dos emergentes bairros da belle époque, premiadas em mostras como a Louisiana Purchase Exposition, em Saint Louis (EUA), no ano de 1904.
Fonte: Coleção  Folha SÀo Paulo Antiga


Quer saber como era São Paulo em 1943? Os mais “velhinhos” vão adorar! A narração é em inglês, mas as imagens falam por sí só! Sensacional! Não deixe de ver!

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

LIGUE  O  SOM, CLIQUE, ABRA  A  TELA E…CURTA  SÃO  PAULO  EM  1943!!!

Recordar é viver: a “Santa” Inquisição

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Recordar é viver, não é verdade?

  • Nos processos da inquisição a denúncia era prova de culpabilidade, cabendo ao acusado a prova de sua inocência.
  • O acusado era mantido incomunicável; ninguém, a não ser os agentes da Inquisição, tinha permissão de falar com ele; nenhum parente podia visitá-lo.
  • O acusado geralmente ficava acorrentado.
  • O acusado era o responsável pelo custeio de sua prisão.
  • O julgamento era secreto e particular, e o acusado tinha de jurar nunca revelar qualquer fato a respeito dele no caso de ser solto.
  • Nenhuma testemunha era apresentada contra ele, nenhuma lhe era nomeada; os inquisidores afirmavam que tal procedimento era necessário para proteger seus informantes.
  • A tortura também podia ser aplicada para que o acusado indicasse nomes de companheiros de heresia.
  • As testemunhas que se contradiziam podiam ser torturadas para descobrir qual delas estava dizendo a verdade.
  • Não havia limites de idade para a tortura, meninas de 13 anos e mulheres de 80 anos eram sujeitas à tortura.
  • (…)

    Você sabe como surgiu a Ordem Rosacruz?

    quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

    Nos primeiros tempos da civilização egípcia, 5 mil anos antes de Cristo, mestres transmitiam a uns poucos discípulos, selecionados pela boa conduta e pela vontade de aprender as verdades da vida, conhecimentos herdados de povos muito antigos mas tão incrivelmente evoluídos que se supõe que tenham sido extraterrestres.

    Os sábios dessa época guardavam os segredos da nossa origem e do nosso destino, de onde viemos e para onde vamos.

    Um dos que tomaram conhecimento desses segredos foi o faraó Amenófis 4º, que ficaria conhecido como o introdutor do monoteísmo (a crença num deus único) no Egito. Em 1350 a.C., aproximadamente, Amenófis 4º tornou-se mestre da Grande Fraternidade Branca, sociedade secreta cujos membros se reuniam em câmaras situadas no interior da pirâmide de Queóps.

    A doutrina que eles desenvolveram influenciou filósofos, religiosos, cientistas, artistas e místicos de todos os tempos.

    E  foi dessa semente que nasceu a Antiga e Mística Ordem Rosae Crucis – Amorc.

    Uma Mulher que fez História!

    terça-feira, 4 de dezembro de 2012

    RLP_0

    Em 25 de outubro de 2005, faleceu Rosa Lee Parks a afro-americana, costureira de Montgomery, Alabama, que em 1955, com 42 anos de idade, se recusou a ceder o lugar num onibus a um homem branco que lhe exigia isso.

    A sua recusa custou-lhe ser condenada a uma pena de prisão e uma multa – assim era a iníqua lei vigente – mas deu-lhe a honra de ser reconhecida como a pessoa que esteve na origem do movimento pela igualdade dos direitos nos Estados Unidos.

    RLP_3

    Na sequência do ato de rebeldia de Rosa Lee Parks e da perseguição legal que lhe foi movida o Reverendo Martin Luther King liderou um movimento de protesto que, entre outras coisas, gerou um boicote ao uso de onibus pela população negra do Alabama que durou mais de um ano.

    Em 1992 Rosa Lee Parks foi entrevistada e explicou que decidira não ceder o lugar porque acreditava ter o direito a ser tratada como qualquer outro passageiro.

    Segundo ela “havíamos suportado esse tipo de tratamento durante demasiado tempo”.

    E tinha toda a razão!

    NOTA DO BLOG:

    Que bom seria se tivessemos algumas Rosa Lee Parks por aqui, você não acha?

    AVENIDA PAULISTA

    terça-feira, 27 de novembro de 2012

    A Avenida Paulista é uma das ruas mais importantes de São Paulo, é o principal centro financeiro do Brasil e o ponto turístico mais famoso da capital paulistana. Além de ícone do poder ecônomico, a Avenida Paulista centraliza cultura e entretenimento para o povo paulistano.

    A Avenida Paulista  abriga sedes de grandes empresas, bancos, consulados, hotéis, hospitais,  e instituições científicas, como o Instituto Pasteur, e culturais, como o MASP.  Diariamente pela avenida Paulista transitam milhares de pessoas oriundas de todas as regiões da cidade e de fora dela.

                       Avenida Paulista em 1891 – Jules Martins

    A avenida foi criada no final do século XIX a partir do desejo da elite paulistas em expandir na cidade novas áreas residenciais  que não estivessem localizadas imediatamente próxima as altamente valorizadas e totalmente ocupadas  Praça da República, Higienópolis e os Campos Elísios. A avenida Paulista foi inaugurada no dia 8 de dezembro de 1891, por iniciativa do engenheiro Joaquim Eugênio de Lima.

    A região antes do ‘nascimento’ da Avenida Paulista era ocupada por fazendas,  áreas devolutas, casebres, e estábulos. A expansão imobiliária se deu rapidamente e as mansões que alí foram  construida seguiam projetos desenvolvidos por engenheiros renomados, tudo digno dos muitos barões do café que alí compraram terras e queriam uma mansão que ostentasse o seu poder
    ecônomico. A avenida foi aberta seguindo padrões urbanísticos relativamente novos para a época: seus palacetes possuíam regras de implantação que, como conjunto, caracterizaram uma ruptura com os tecidos urbanos tradicionais.

                                                Avenida Paulista em 1928

    A Avenida Paulista foi a primeira via pública asfaltada de São Paulo, em 1909, com material importado da Alemanha, uma novidade até na Europa e nos Estados Unidos.

    Esse perfil estritamente residencial da avenida permaneceu até meados da década de 1950, quando o desenvolvimento econômico da cidade levava os novos empreendimentos comerciais e de serviços para regiões afastadas do seu centro histórico. Em pouco tempo, praticamente, todos os palacetes da avenida tinham sido vendidos e substituídos por pequenos prédios de escritórios e comércio.

                                                                 Avenida Paulista-2012

    Atualmente na Avenida Paulista estão diversos consulados como como os da: África do Sul, Albânia, Argentina, Bélgica, Bolívia, Chile, Coreia do Sul, França, Índia, Itália, Japão, Jordânia, Líbano, Luxemburgo, Mônaco, República Dominicana, Síria, Suíça e Taiwan.

    Por tudo isso, se estiver em São Paulo, não deixe de conhecer a maravilhosa Avenida Paulista!

    Fonte: Eu amo São Paulo