Arquivo de janeiro de 2013

ATENÇÃO MARIDOS! SERVE A CARAPUÇA?

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

A religião, segundo David Hume

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Ao longo da história, a religião tem inflamado o fanatismo mais que qualquer outra coisa. Leio, no iPad, a monumental “História da Inglaterra” de David Hume (foto ao lado), filósofo, historiador e escritor inglês do século XIX. (O iPad é uma festa para quem quer encontrar e ler clássicos de graça.) E uma passagem me remete a um tema que despertou entre os leitores uma apaixonada polêmica: a religião.

Hume, um dos grandes ideólogos do liberalismo, viveu e morreu como um verdadeiro filósofo. Era um homem simples, frugal, honesto, leal, corajoso, moderada até em sua única vaidade — literária. Segundo seu amigo e admirador Adam Smith (ao lado), Hume chegou moralmente ao ponto mais alto que a fragilidade humana permite.

Vários trechos da A História da Inglaterra me despertam a atenção admirada. Num deles, no capítulo que trata de Carlos I, o rei inglês que se bateu com o Parlamento e acabou deposto e decapitado em meados do século XVII na primeira revolução burguesa da humanidade, Hume lança um olhar para a influência da religião entre os britânicos nos dias do monarca infeliz.

Assim disse Hume: “De todas as nações européias, a Grã Bretanha era naquele momento, e por muito mais tempo, a mais influenciada por aquele espírito religioso que tende mais a inflamar o fanatismo do que a promover a paz e a caridade.” São palavras eternas.

Lamentavelmente, ao longo da história, a religião tem servido muito mais para piorar do que para melhorar as pessoas e a sociedade. Quem acaba dominando-a não são os moderados, os tolerantes, aqueles que aceitam a diversidade. São os radicais, os fanáticos, os que acham que podem matar os infiéis em nome de seu Deus, seja qual for.

por Paulo Nogueira (Diário do Centro do Mundo)

Santa Maria e a Guerra do Vietnã

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Em 1967 a Guerra do Vietnã envolvia um contingente cada vez maior de soldados americanos.

A necessidade de atendimento aos feridos graves, entre eles as vítimas de queimadura e intoxicação, demandavam recursos materiais e humanos cada vez mais complexos.

Os EUA construíram, na cidade litorânea de Da Nang, um hospital militar com o objetivo de atender suas tropas.

Nesta época não existia propriamente a especialidade hoje conhecida como Terapia Intensiva. Foi com espanto que os médicos militares começaram a atender um número cada vez maior de pacientes vítimas de intoxicação em função do chamado “agente laranja” e outras substâncias químicas utilizadas para desfolhamento de florestas e localização dos esconderijos inimigos.

As pessoas apresentavam como quadro clínico uma síndrome que envolvia, entre outros sinais e sintomas, acúmulo de líquidos nos pulmões e diminuição da capacidade de oxigenação do sangue.

Essa nova doença ficou conhecida como “Pulmão de Da Nang” e hoje, nós intensivistas, a chamamos de SARA – Síndrome de Angústia Respiratória do Adulto.

Fiz esta breve introdução para dizer que é isto que pode acontecer com os sobreviventes do incêndio de Santa Maria. Mais; gostaria que ficasse muito claro a todos que este tipo de “coisa” não pode ser atendido (numa situação que envolve um número de pacientes tão grandes) com segurança em nenhuma capital brasileira.

Isto ocorre porque simplesmente não há unidades de terapia intensiva em número suficiente nem respiradores artificiais para atender tanta gente.

Em meio a tanto desespero não há um só político ou autoridade da saúde com honestidade suficiente para dizer aquilo que escrevi acima.

Há pelo menos quatro décadas assistimos gerações e mais gerações de secretários e ministros da saúde insistindo na ideia de medicina comunitária e prevenção. Pois bem, pergunto agora: o que nós, médicos intensivistas, devemos fazer com as pessoas que sobreviveram ao incêndio de Santa Maria? Encaminhá-las para postos de saúde? Não se constrói um hospital público em Porto Alegre desde 1970! Pelo contrário; vários foram à falência e fecharam!

Que o Brasil inteiro saiba que é MENTIRA a afirmação das autoridades de que Porto Alegre tem leitos de UTI suficientes para atender toda essa gente!

A secretaria estadual da saúde pode, se necessário, comprar leitos na rede privada mas mesmo assim é muita sorte haver algum disponível.

Com relação aos responsáveis por esta tragédia, deixo aqui a minha opinião – foi o poder público corrupto, negligente e incompetente, quem MATOU todos estes jovens!

É esse tipo de gente que quer entupir o o Brasil com médicos de Cuba e do Paraguai, que manda médicos para o Haiti e que insiste em saúde “comunitária”, que agora aparece na televisão chorando e abraçando os pais das pessoas que morreram.

Termino aqui; como em toda situação de guerra, a primeira vítima de Santa Maria, assim como em Da Nang, foi a verdade – jamais esqueçam isto !


Milton Pires,  Médico Intensivista  (Porto Alegre – RS)

Quantas vezes o mundo vai acabar?

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Penso que só nós, humanos, podemos contar uma história que começa assim:

“Foi logo depois que o mundo acabou. As águas baixaram, a enorme arca encalhou no flanco de uma planície e a vida rotineira recomeçou com suas esperanças de sempre, inclusive a de poder, um dia, terminar…”

A arca de Noé não era um Titanic, embora o Titanic tivesse uma inconfundível inspiração mitológica. Mas o Titanic, aquele navio inafundável, fabricado com a certeza da ciência, submergiu. Enquanto a Arca — construída na base da fé — não soçobrou.

Por outro lado, o Titanic levava milionários num passeio luxuoso e imigrantes pobres que iam “fazer a América” naqueles velhos tempos que ela ainda podia ser feita.

É claro que ambos os navios tinham um povo escolhido que sobreviveria. No caso do Titanic, testemunhamos a sobrevivência habitual dos milionários e dos espertos. Os de terceira classe morreram tão escandalosamente que as regras foram drasticamente modificadas. O Titanic e a Arca de Noé representam, cada qual a seu modo, um fim de mundo.

A Arca, porém, como um instrumento de salvação, não podia afundar. Ela corrigia erros. Foi uma advertência e um recall do Criador para a humanidade.

Os filhos de Adão e Eva, híbridos de barro, carne, osso, sopro divino e bestialidade não iam dar certo. Para quem vive querendo começar a vida; para quem tem arrependimentos intransponíveis e gostaria de zerar sua existência, a passagem bíblica oferece um conforto: até mesmo o Criador — onisciente, onipotente e onipresente — teve seus momentos de dúvida. Valeu a pena criar um intermediário, um ser entre os animais e os anjos?

Não sabemos. O que se conhece, entretanto, é que sempre há um grupo que se imagina escolhido e, volta e meia, diz que o mundo vai acabar.

Os eleitos são salvos por alguma Arca de Noé ou foguete intergaláctico como nos velhos e esquecidos contos de Isaac Asimov e de Ray Bradbury. São os escolhidos que dão testemunho de como o mundo acabou e — graças a um profeta — foi refeito na esperança de um aperfeiçoamento moral que custa e, às vezes, chega.

No fundo, como diz a Dra. Camélia, uma psicanalista admiradora de antropologia, esses mitos não falam apenas do fim do mundo, falam — isso sim — da imortalidade dos eleitos. Daqueles que estão além do mundo porque seguiram regras morais mais fortes que o próprio mundo — esse planeta que, no fundo, é frágil e terminal se não segue algum mandamento.

Vi o mundo acabar muitas vezes, disse o professor. Primeiro pela água, depois pelo fogo, depois pelas bombas atômicas do Dr. Strangelove. De 1000 passarás, mas a 2000 não chegarás! Estávamos em 1948 e faltava tanto para o 2000 que eu me perdi. Afinal, havia muitas coisas mais importantes para pensar e fazer do que me preparar para o fim do mundo. E, no entanto, essa década de 2000 foi clara na demonstração de que eu era mais um náufrago, a ser salvo pela paciência e pela generosa ternura humana.

Por que será que, mesmo nestes tempos de utilitarismo racional e de realismo capitalista, tanta gente ainda acredita no fim do mundo?

Porque eles vão realizar uma façanha e tanto: vão sobreviver ao planeta e sentir aquela onipotência apocalítica típica dos dos milenaristas.

Mas, tirando as fantasias, o mito do fim do mundo revela também uma insatisfação permanente com a vida, tal como a experimentamos: com suas imperfeições, traições, picuinhas, faltas e covardias: com a impossibilidade de seguir os ideais.

Quem sabe, diz esse mito de fim de mundo, um dia tudo isso vai mudar e a vida neste mundo será justa e perfeita promovendo, enfim, o encontro da teoria com a prática?

No fundo, o ocidente progressista e capitalista que acumula cada vez mais dinheiro sempre foi tributário soluções finais para a vida.

Outros povos se satisfazem em aceitar o que reconhecem como parte e parcela de contradições impossíveis de escapar quando se vive em coletividade. Mas nós, crentes no desenvolvimento da espécie e nos estágios evolutivos, tendemos a confundir progresso técnico com avanço moral e pensamos que nossas bombas atômicas são superiores aos arcos e flechas dos nossos irmãos selvagens.

Neste sentido, o mito do fim do mundo seria também uma advertência ao nosso estilo de vida fundado num consumo e numa sofreguidão inesgotáveis. Um modo de dispor do planeta e dos seus recursos que impedem o seu reconhecimento humano.

Essa, penso, seria o centro dessa última onda de fim de mundo que acaba de passar. Um retorno apocalítico da totalidade num universo marcado por uma cosmologia brutalmente individualista.

Mal o professor pronunciou essas palavras e logo um aluno levantou a mão e perguntou: mas isso é mito ou realidade? Afinal, não estamos mesmo chegando ao final de um estilo de vida egoísta no qual pensamos cada qual em nós mesmos e todos apenas no nosso país?

O mito revela também uma insatisfação permanente com a vida, tal como a experimentamos: com suas imperfeições, traições, picuinhas, faltas e covardias.

por Roberto DaMatta,  antropólogo

Nunca discuta com uma mulher quando ela acha que tem razão. Acompanhe a discussão de Fátima Bernardes com o Major do Corpo de Bombeiros de Santa Maria. Coitado do profissinal que teve que aguentar os chiliques da Sra Bonner.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Fonte: BOL Vídeos

NOTA DO BLOG:

Tudo na GLOBO é válido para tentar alavancar os índices de audiência, leia-se IBOPE, que está lá no “fundo do poço” no período matutino, perdendo as vezes até para os desenhos do pica-pau.

Pensamento do Dia:

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Fonte: netmundi.0rg

O romantismo exacerbado de Vicente Celestino

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

O cantor (tenor), ator e compositor carioca Antônio Vicente Felipe Celestino (1894-1968) lançou um estilo caracterizado pelo romantismo exarcebado, comovendo e arrebatando um grande público durante a primeira metade do século XX, através do teatro, do rádio, de discos e do cinema nacional.

A letra dramática da música “O Ébrio”, repleta de desventuras e imagens beirando a pieguice, era uma perfeita sinopse para o enredo de um filme, desde o prólogo falado à parte musical propriamente dita. Nesta, o contraste da primeira parte, no modo menor, com a segunda, no modo maior, contribui para ressaltar a tragédia do protagonista. “O Ébrio”, lançado em 1946, com Vicente Celestino no papel principal, obteve recordes de bilheteria.

A canção “O Ébrio” gravada por Vicente Celestino, em 1936, pela RCA Victor, também inspirou naquele ano uma peça de teatro e, em 1965, uma novela na TV Paulista.

O ÉBRIO
Vicente Celestino (declamação)

Nasci artista. Fui cantor. Ainda pequeno levaram-me para uma escola de canto. O meu nome, pouco a pouco, foi crescendo, crescendo, até chegar aos píncaros da glória. Durante a minha trajetória artística tive vários amores. Todas elas juravam-me amor eterno, mas acabavam fugindo com outros, deixando-me a saudade e a dor. Uma noite, quando eu cantava a Tosca, uma jovem da primeira fila atirou-me uma flor. Essa jovem veio a ser mais tarde a minha legítima esposa. Um dia, quando eu cantava A Força do Destino, ela fugiu com outro, deixando-me uma carta, e na carta um adeus. Não pude mais cantar. Mais tarde, lembrei-me que ela, contudo, me havia deixado um pedacinho de seu eu: a minha filha. Uma pequenina boneca de carne que eu tinha o dever de educar. Voltei novamente a cantar mas só por amor à minha filha. Eduquei-a, fez-se moça, bonita… E uma noite, quando eu cantava ainda mais uma vez A Força do Destino, Deus levou a minha filha para nunca mais voltar. Daí pra cá eu fui caindo, caindo, passando dos teatros de alta categoria para os de mais baixa. Até que acabei por levar uma vaia cantando em pleno picadeiro de um circo. Nunca mais fui nada. Nada, não! Hoje, porque bebo a fim de esquecer a minha desventura, chamam-me ébrio. Ébrio…

Tornei-me um ébrio e na bebida busco esquecer

Aquela ingrata que eu amava e que me abandonou

Apedrejado pelas ruas vivo a sofrer

Não tenho lar e nem parentes, tudo terminou

Só nas tabernas é que encontro meu abrigo

Cada colega de infortúnio é um grande amigo

Que embora tenham como eu seus sofrimentos

Me aconselham e aliviam os meus tormentos

Já fui feliz e recebido com nobreza até

Nadava em ouro e tinha alcova de cetim

E a cada passo um grande amigo que depunha fé

E nos parentes… confiava, sim!

E hoje ao ver-me na miséria tudo vejo então

O falso lar que amava e que a chorar deixei

Cada parente, cada amigo, era um ladrão

Me abandonaram e roubaram o que amei

Falsos amigos, eu vos peço, imploro a chorar

Quando eu morrer, à minha campa nenhuma inscrição

Deixai que os vermes pouco a pouco venham terminar

Este ébrio triste e este triste coração

Quero somente que na campa em que eu repousar

Os ébrios loucos como eu venham depositar

Os seus segredos ao meu derradeiro abrigo

E suas lágrimas de dor ao peito amigo

LIGUE O SOM, CLIQUE, ABRA A TELA E…CURTA.



Fonte: site Poemas & Canções

Vamos curtir? “Jura-me” – Altemar Dutra

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

LIGUE O SOM, CLIQUE, ABRA A TELA E…CURTA.

Vídeo: Marli – Santos-SP

NOTA DO BLOG:

No YouTube você encontra outros lindos vídeos criados pela minha amiga Marli.