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FUTEBOL É O ASSUNTO PRINCIPAL

sexta-feira, 26 de abril de 2013

MAIOR DESTAQUE – Como a aproximação da Copa das Confederações, que nada mais é do que o grande aperitivo da Copa do Mundo, e pelo fato de ambos os certames acontecerem no Brasil, daqui para frente, até o encerramento do Mundial de 2014, os noticiários vão destacar muito mais o futebol do que qualquer outro assunto.

COPA DE 1950 – Para não fugir à regra me antecipo relembrando a Copa do Mundo de 1950 (primeira depois da segunda guerra mundial), que o Brasil sediou, para fazer algumas comparações. Naquela época, como é sabido, além de não existir televisionamento e apoio de patrocinadores, também não havia direitos de transmissão. Muito menos bola com chip, como veremos na edição de 2014.

13 SELEÇÕES – O que poucos sabem, no entanto, é que a Copa de 50 só contou com 13 seleções, que vieram ao Brasil para disputar 22 jogos (em 2014 serão 32 times e 64 partidas). Mais: a duração do torneio foi de apenas 16 dias.

Em 1950, as cidades-sedes eram seis: Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Curitiba e Recife; em 2014 serão 12, com o acréscimo de Salvador, Cuiabá, Manaus, Fortaleza, Natal e Brasília.

MARACANÃ (1950)

CURIOSIDADES – No Mundial de 50, para quem não sabe, a Argentina preferiu não participar. Como não foi escolhida para ser sede da Copa do Mundo, em protesto resolveu desistir. Assim, da América do Sul, além do Brasil participaram Uruguai, Chile, Paraguai e Bolívia.

Já da Europa vieram as seleções da Suécia, Suíça, Inglaterra, Itália, Iugoslávia e Espanha. E da Confederação Norte-Centro-Americana e do Caribe de Futebol, México e Estados Unidos.

E, dos países da África, Ásia e Oceania, a única seleção que se classificou, na primeira fase, foi a Índia, que acabou desistindo porque seus jogadores jogavam descalços. Como a FIFA havia decidido que a partir da Copa de 1950 passaria a ser obrigatório o uso de chuteiras para a prática do futebol, a Índia preferiu não participar.

REINO UNIDO – As nações que compõem o Reino Unido puderam competir, tendo se reunido à Federação Internacional de Futebol quatro anos antes, após 17 anos de auto-exílio. Foi decidido que o Bristish Home Championship de 1949-50 serviria de eliminatória, com o campeão e vice se classificando para o Mundial.

A Inglaterra terminou em primeiro e a Escócia em segundo. Mas os escoceses também desistiram, porque haviam decidido que só participariam caso tivessem ficado em primeiro lugar.

DESISTÊNCIAS – Além da Índia, a Turquia também optou por não participar. Preocupada com tantas desistências, a FIFA convidou a França e Portugal para preencher as vagas. Ambas, porém, declinaram do convite.

No início, a França até concordou em participar. Como a infraestrutura no Brasil era muito precária (coisa que acontece até hoje), e muitas viagens da Europa para o Brasil eram feitas por navio, os franceses exigiram mudança de local dos jogos no Brasil. A então CBD recusou e com isso a França acabou desistindo.

SEM FINALÍSSIMA – Com toda essa encrenca, dos 16 times originalmente previstos, somente 13 disputaram o torneio, que teve duração de apenas 16 dias. O que foi considerado um fiasco pela mídia internacional.

Agora o mais curioso e que muita gente desconhece: a Copa do Mundo de 1950 não teve uma finalíssima.

Como a fórmula do torneio previa um quadrangular final, as quatro equipes que se classificaram em primeiro em seus grupos (Brasil, Uruguai, Espanha e Suécia) formaram um novo grupo e disputaram partidas entre si. Por mera coincidência, a última partida do quadrangular acabou por reunir Brasil e Uruguai. Como o Uruguai tinha 3 pontos (havia empatado com a Espanha) e o Brasil 4 (havia ganhado duas, contra Espanha e Suécia), e não poderiam mais ser alcançados pelas demais, só um dos dois tinha condições de se sagrar campeão do mundo. Para o Brasil, o empate bastava; No caso do Uruguai, só a vitória interessava.

O resultado, que os brasileiros jamais esquecem, foi 2×1 para o Uruguai, que se tornou Campeão do Mundo, em pleno estádio do Maracanã, totalmente lotado.

Fonte: Ponto Critico.Com

O BRASIL EM SEUS GRANDES EVENTOS DE 2013 A 2016: A PREOCUPAÇÃO É OBRIGATÓRIA.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Nenhuma dúvida: o Brasil não faz parte do circuito do terrorismo. Mas pode passar a fazer, o que vai acontecer aqui terá repercussão mundial, não serão eventos locais, puramente “em casa”.

Agora, logo, logo, a Copa das Confederações, com participação de representantes de vários continentes. Em julho, praticamente emendando, a primeira viagem internacional do Papa Francisco.

Centenas de milhares, talvez um milhão de turistas aqui. E centenas de milhões, no mundo todo, assistindo pela televisão. E carregando a repercussão que acompanha, sempre, os movimentos do Papa.

Com intervalo de um ano, a badaladíssima Copa do Mundo e suas audiências colossais. Mais dois anos, a Olimpíada. É uma sucessão preocupante, angustiante.

PS – E se Boston for (ou tenha sido) uma nova avalanche do terrorismo? Por que apostar na possibilidade de não acontecer nada, “estamos muito longe”?

PS2 – Nada é distante ou impossível para o terrorismo, eles só querem aterrorizar. E tudo que fazem é inesquecível.

por Helio Fernandes (Tribuna da Imprensa)

Copa do Mundo: espetáculo sectário, autoritário, perdulário

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

A partir da Olimpíada de 1920, messiê Jules Rimet aumentou sua obsessão de realizar uma competição de futebol que não fosse subordinada a nenhum evento, tivesse vida própria. Assistiu à Olimpíada de 1924, ganha pelo Uruguai, à de 1928, também vencida pelo Uruguai, que se consagrou como a “Celeste Olímpica”.

Em 1930 concretizou seu sonho, a primeira Copa do Mundo foi no Uruguai, pelo passado e pelo presente. O Uruguai completava 100 anos da Independência. Eram 8 países convidados, não existia eliminatória, nem estádios assombrosos, luxuosos, suntuosos. Apenas o Estádio Centenário, que existe sem reformas altamente custosas.

O tempo passou, chegamos à realidade de agora. No momento vários países disputam sediar a Copa de 2026, a de 2030 já está prática e justamente destinada: será no Uruguai-Argentina, uma parceria. Principalmente para a Fifa que já patrocinou um fracasso total, jogado entre Japão e Coréia do Sul. Sete horas de avião de um país para outro, moeda diferente, língua idem, e por aí vai.

A de 2026, luta enorme entre México e EUA. Por que essa antecedência, se antigamente o anfitrião era indicado entre 5 e 6 anos antes. Preponderância da corrupção e do poder financeiro. Por causa disso, a Fifa mudou seus hábitos, escolheu no mesmo dia (inédito e surpreendente) duas sedes. Rússia 2018. Qatar 2022. O dinheiro “correu solto”. (Parecia até a reeleição de FHC).

A escolha da Rússia, no distante 2018, e a do Qatar, no mais longínquo 2022, acusações que correram o mundo. Blatter, um dos acusados, aproveitou para expulsar os adversários, contabilizou (ou contaminou) mais uma reeleição. De simples funcionário (amanuense), se transformou em riquíssimo personagem esportivo.

O AMANUENSE BLATTER

Tem um plano de saúde para sempre, ao custo de 300 mil dólares. Aposentadoria majestosa, salários mensais ou anuais, que não consegui descobrir de quanto é. Fora as mordomias, avião especial, por que iria se misturar com a plebe vil e ignara?

JOSEPH BLATTER – PRESIDENTE DA FIFA

Com toda essa deficiência de competência e de caráter, se permite fazer exigências a um país como o Brasil, que aceita tudo, incluindo mudanças constitucionais. Lembrando seu secretário-geral, Jerome Valcke, que disse para todo mundo ouvir: “O Brasil deveria levar um pontapé no traseiro”. Inacreditável, continuam vindo ao país, dando ordens ou fazendo restrições.

A Copa do mundo geralmente não deixa “herança” positiva para a coletividade, gastam fortunas em estádios desnecessários, e depois, praticamente inúteis. Muito mais elogiável e facilmente verificável é a Olimpíada. Podem dizer, “beneficia apenas uma cidade”. Vejam o Rio, hoje um “canteiro de obras” em todos os lugares, do subúrbio à Zona Sul, tudo para a população. E que reflete e repercute no país inteiro.

Desmoralizaram até o Maracanã, um símbolo respeitado no mundo inteiro. Na Copa do Mundo de 50 não eram exigidos tantos estádios, também não havia eliminatórias.

Na final Brasil-Uruguai, histórica pelo monumental silêncio provocado pela derrota. E histórica pelo fato de estarem presentes 200 mil pessoas, ou até mais.

MARACANÃ E AS “REFORMAS”

Na bancada de imprensa, em cada cadeira, ficavam 5 jornalistas em pé. Depois, na eliminatória de 1978, Brasil-Paraguai, mais de 188 mil pessoas. Num jogo Flamengo-Fluminense, mais de 170 mil pagantes. Agora, na “reforma” desse Maracanã do qual tanto nos orgulhamos, quase um bilhão de reais desperdiçados. Para ser mais exato e com os números oficiais: 882 milhões.

Não podemos esquecer: nos 4 anos do governador Garotinho, obras de mais de 300 milhões. A seguir, no governo de Dona Garotinha, outra reforma no custo de mais 400 milhões. Isso em quanto tempo? 12 anos. E as duas obras executadas pelo mesmo personagem, chamado de Chiquinho da Mangueira, eleito deputado estadual, se licenciava, logo ia para a Secretaria de Esportes e o Maracanã.

Acabava o governador Garotinho, voltava para a Alerj,era reeleito, outra vez a palavra voltava, para a mesma Secretaria de Esportes e para mais obras no Maracanã. O que mudava? Saía o marido, entrava a mulher.

Excluído o Maracanã, apresentemos apenas os totais oficiais de 10 estádios. Sem qualquer aparelhamento ou discussão sobre números, só o que o Ministério do Esporte divulga: 5 bilhões e 160 milhões. O que ficará para a comunidade? Só o exagero.

ITAQUERÃO

O mais caro, São Paulo, acima de 800 milhões. O menos dispendioso, do Paraná, pouco mais de 200 milhões. E foram construídos com uma capacidade aceitável, com previsão de público razoável para esses estádios.

EM BRASÍLIA, O ABSURDO

Absurdo completo: 70 mil pessoas em Brasília, que nem campeonato trem. (Mais importante na capital é “A pelada do Estevão, disputada). O único estádio pronto é o de Fortaleza, ao custo e mais de 700 milhões, não estão incluídos na lista de mais de 5 bilhões.

Esse estádio é chamado de “Castelão”, muita gente pensa que é por causa do ditador Castelo Branco. Quando foi construído (agora monumentalizado), Castelo nem era nascido. É que naquela região só existiam castelos, ultrapassados.

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PS – Para terminar: estava demorando o Parreira posar para câmeras e holofotes. Diz: “O Brasil não tem direito de perder outra Copa em casa”. Além de não se aproveitar nada do que falou, esta preciosidade: “O Zagallo me ajudou muito nas duas Copas”. A primeira, 1994, a mais fraca de todas, vencida nos pênaltis, depois de uma classificação com um gol milagroso e mediúnico do Branco.

PS2 – A segunda Copa a que ele se refere foi a de 2006 na Alemanha. Vexame completo, até hoje inesquecível, vive na mente e no coração dos brasileiros. Agora apela para o apoio do torcedor: “É preciso envolver todo mundo no projeto vitória. E quando falo todo mundo, é o país inteiro”. Por que o povão confiaria na Comissão Técnica, comandada por esse Marin, que foi parceiro, “vice e depois governador da ditadura”?

PS3 – Guardei para o fim o único elogio geral. A Copa de 1930 no Uruguai, que festejava os 100 anos de liberdade. Em 2030, 100 anos da primeira Copa, resta saber o que a autoritária, arrogante e corrupta Fifa vai exigir dos anfitriões.

por Helio Fernandes (Tribuna da Internet)

“É um absurdo não usarem o Morumbi para a abertura da Copa. O estádio está ali, precisaria arrumar pequenas coisas. (…) Passaremos vergonha. Será a pior Copa de todas.” (Sócrates, ex-jogador do Corinthians e da Seleção Brasileira, criticando a organização da Copa do Mundo de 2014). SERIA O SAUDOSO SÓCRATES, UM VISIONÁRIO? O TEMPO DIRÁ.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

 

                                                  

REPETECO: “Quem realmente vai ganhar com a realização da Copa do Mundo aqui no Brasil? O povão? Ora, conta outra”!!!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Estamos em Itaquera, zona leste de São Paulo, onde se constrói um estádio PARTICULAR. Sim, particular, porque pertencerá a umCLUBE PRIVADO denominado Sport Club Corinthians Paulista

Dona Vera Lúcia Márcila tem 54 anos e uma tosse que não passa. Ela caminha de um lado para o outro cobrindo a boca com um lenço e tossindo enquanto espera por mais de 1 hora só para conseguir se cadastrar na unidade de Assistência Médica Ambulatorial (Ama). Depois, ainda terá que aguardar para ser atendida. Não dá nem para sentar, todas as 40 cadeiras disponíveis na sala de espera estão ocupadas. 

“Muitos desistem, né? Mas vou ficar aqui até conseguir”, diz, resignada.

“Às vezes, a gente chega para a consulta e o médico nem olha para a nossa cara, só pergunta o que a gente tem e já vai logo passando o remédio.”

Não são poucos os problemas do bairro. A um quarteirão do ambulatório, uma pracinha com brinquedos enferrujados e mato a uma altura de 40 centímetros resume o estado de abandono da região e a falta de atenção do poder público. E é em Itaquera que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deve investir nos próximos anos pelo menos R$ 400 milhões, dinheirama que deve vir acompanhada por pelo menos R$ 420 milhões em incentivos fiscais, segundo proposta do prefeito Gilberto Kassab. Leia-se: impostos, que poderiam ser revertidos em melhorias para a cidade, deixarão de ser arrecadados.

Ou seja,  os milhões reservados não serão para contratar mais médicos ou ajudar a situação de moradores como Vera Lúcia. O investimento total de verbas públicas, que pode passar de R$ 1 bilhão, será todo para a construção do Itaquerão ou Fielzão, como é chamado o estádio do Corinthians que, repito, é  um clube privado.

A situação é emblemática e ajuda a entender a preparação para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Os investimentos públicos reservados para a realização do evento devem passar de R$ 23 bilhões – mais do que o dobro do que o Governo Federal gastou com todos os programas de assistência social do País no ano passado.

Tal aporte será concentrado nas principais capitais. Regiões que precisam de verbas não receberão um tostão. Não passou de ilusão o discurso de que a iniciativa privada bancaria a competição, repetido reiteradas vezes por Ricardo Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), em 2006. A previsão de investimentos privados é de 1,4% do total.

Para justificar o encaminhamento de bilhões dos cofres federais, estaduais e municipais, na maior parte na forma de empréstimos e financiamentos de bancos públicos, para a organização de um evento privado, os envolvidos insistem que a competição atrairá investimentos diretos e indiretos, e será importante para a melhoria de infraestrutura urbana.

Quem acompanha as finanças de competições, porém, entende que não é assim que a preparação tem sido conduzida.

“A construção de um legado só tem sentido se o planejamento for adequado às cidades. É preciso aproveitar o evento para melhorar a cidade e não adaptar as cidades para melhorar o evento, que é o que está acontecendo”, diz Erich Beting, diretor da revista especializada em marketing esportivo “Máquina do Esporte” e professor da Trevisan Escola de Negócios.

“É o mesmo que aconteceu na África do Sul (Copa do Mundo de 2010), em Atenas (Olimpíada de 2004) e em Sidney (Olimpíada de 2000). Usaram o discurso do legado para trazer o evento, mas, na prática, não souberam aproveitar”, afirma, apontando Barcelona (Olimpíada de 1992) como um bom exemplo de planejamento.

“A prefeitura pensou do início ao fim o evento como um projeto para melhorar a cidade. Não adianta pensar em soluções apenas para a Copa, mas sim em soluções permanentes”, ressalta o especialista.

Os problemas não se resumem à falta de critérios na liberação de investimentos. Em alguns casos, em vez de ajudar a melhorar as condições de vida da população, tais verbas estão causando problemas.

Segundo o dossiê apresentado pela Relatoria Especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Direito à Moradia, as obras da Copa do Mundo têm em muitos casos resultado na expulsão de moradores pobres.

Em Itaquera, pertinho do futuro estádio do Corinthians, famílias que vivem na Favela da Paz aguardam apreensivas. A Secretaria Municipal de Habitação tem planos de desapropriar 300 imóveis em um processo de reurbanização e os moradores devem ser despejados.

“Já participamos de reuniões e ninguém diz qual será o nosso destino. Até o presidente do Corinthians Andrés Sanchez veio dizer que o estádio vai dar alegria para uns e tristeza para outros e que o compromisso dele é com a construção do estádio e que nosso destino é de responsabilidade da Prefeitura”, conta o Eduardo da Silva, de 43 anos, morador da comunidade há 12 anos.

Fontes: Veja Brasil, Correio Braziliense e Folhha

A Copa do Mundo já tem seus perdedores. O exemplo de Itaquera não deixa dúvidas: os preços de compra e aluguel dos imóveis dobraram, e quem paga essa conta em geral são os pobres.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

A grande euforia pela escolha do Brasil como sede da Copa de 2014 não tardou muito em gerar desilusão. Logo apareceu o incômodo problema de quem iria pagar a conta.

E veio a resposta, ainda mais incômoda, de que 98,5% do gordo orçamento do evento será financiado com dinheiro público, segundo estudo do TCU. Dinheiro que faz falta no SUS, na educação e na habitação popular. Por sua vez, a Fifa impõe contratos milionários com patrocinadores privados e o presidente do todo-poderoso Comitê Local é Ricardo Teixeira. A transparência dos gastos está em xeque.

Esses temas têm sido amplamente tratados pela grande imprensa. Mas há outra dimensão do problema -não menos grave- que é pouco abordada. Trata-se das consequências excludentes dos investimentos da Copa nas 12 cidades que a abrigarão. Três anos antes de a bola rolar, esta Copa já definiu os perdedores. E serão muitos, centenas de milhares de pessoas afetadas direta ou indiretamente pelas obras.

Somente com despejos e remoções forçadas já há uma estimativa inicial de 70 mil famílias afetadas, segundo dossiê de março deste ano produzido pela relatora da ONU e urbanista Raquel Rolnik. Os números podem chegar a ser bem maiores. Talvez por isso sejam tratados pelo governo como caixa-preta.

A desinformação facilita que qualquer processo de remoção receba o carimbo da Copa e, deste modo, seja conduzido em regime de urgência, passando por cima dos direitos mais elementares.

Na maioria dos casos, não há qualquer alternativa para as famílias despejadas. Quando há, são jogadas em conjuntos habitacionais de regiões mais periféricas, com infraestrutura precária e ausência de serviços públicos.

Quem sorri de orelha a orelha é o capital imobiliário. As grandes empreiteiras e os especuladores de terra urbana se impõem como os grandes vitoriosos. Levantamento do Creci-SP mostra que em 2010 houve uma valorização de até 187% de imóveis usados em São Paulo; a rentabilidade do investimento imobiliário superou a maior parte das aplicações financeiras. Para esse segmento a Copa é um grande negócio.

O exemplo de Itaquera não deixa dúvidas: os preços de compra e aluguel dos imóveis dobraram após o anúncio da construção do estádio. A conta costuma ficar para os mais pobres. Isso quando não se paga com a liberdade ou com a vida.

Na África do Sul, durante a Copa de 2010, foi criada, por exigência da Fifa, uma legislação de exceção, com tribunais sumários para julgar e condenar qualquer transgressão. O Pan do Rio foi precedido de um massacre no Morro do Alemão, com 19 mortos pela polícia. Despejos arbitrários, manter os favelados na favela e repressão exemplar aos transgressores, eis a receita para os megaeventos. Receita essa que mistura perversamente lucros exorbitantes, gastos públicos escusos e exclusão social.

Autor: Guilherme Boulos

ESTÃO QUERENDO ENGANAR QUEM?

terça-feira, 26 de julho de 2011

Li em algum jornal que a Fifa, essa organização da qual volta e meia se evola um odorzinho de mutreta, que lida com cachoeiras de dinheiro, cujas decisões são às vezes vistas como fruto de processos viciados e que, enfim, não é nenhuma casa pia, ameaçou fazer a Copa de 14 na Espanha, se as obras aqui não forem apressadas – ou até mesmo iniciadas, como dizem que é o caso de muitas.

Por artes do caprichoso destino, isso pode interessar à Espanha, que tem estrutura e está pendurada. Pode interessar a toda a Europa, aliás, devido ao reflexo dos problemas espanhóis na economia do euro. E talvez o Brasil nem conseguisse ir aos jogos, porque os espanhóis poderiam aparelhar os aeroportos para otimizar sua já tradicional deportação de brasileiros.

Apressar as obras significa, como também se divulga muito, relaxar controles sobre custos e gastos. Claro, qualquer que seja o resultado dos debates, todo mundo sabe que haverá roubo. Se for feita uma enquete, tenho certeza de que a grande maioria dos brasileiros acredita que vai haver roubo nessas obras, com sigilo, sem sigilo, de que forma for. Existirá sempre um jeito de roubar, entendido isto como faturamento fraudulento, propinas, desvios de materiais e serviços e, enfim, todo tipo de trambique aplicável, num repertório em que seguramente somos líderes mundiais.

Sim, todo mundo está cansado de saber disso. Então para que tanta complicação inútil, se tudo vai ser mesmo garfado, sempre foi, desde que nos entendemos e ninguém tem problemas ao ganhar dinheiro desse jeito? Há tantos estádios a construir, tantos aeroportos a reformar, tantas obras públicas, tantas armações que podiam já estar rendendo grana e ficamos nessa demora ridícula, repetindo atos ou palavras que nunca resolveram nada. Tanto o que surrupiar já dando sopa aí e esse pessoal perdendo tempo em formalidades que todo mundo sabe que não servem para nada, a não ser para embalar o sono dos que as ouvirem, em forma de discursos, no Senado Federal. Não havia nem necessidade da mãozinha que a Fifa está querendo dar (ou meter).

É difícil assistir a um noticiário de televisão em que não seja mostrado o desbaratamento e prisão (e imediata soltura, em questão de segundos) de pelo menos uma quadrilha que fraudava algum órgão público. Difícil, não, impossível; não me recordo de nenhum. Se qualquer político for acusado de ladrão numa roda de conversa, dificilmente alguém o defenderá com convicção, porque confere com o padrão que nos acostumamos a aplicar à nossa sociedade. Nenhum tipo de falcatrua ou sordidez nos surpreende e é bastante comum que, nessas conversas, alguém lembre uma história bem pior.

E os parlamentares, se não são todos ladrões em sentido amplo, são beneficiários impudentes de uma abundância obscena de privilégios, a começar pelo imoralíssimo foro especial, que os põe numa acintosa classe acima dos governados, a quem não prestam satisfações e cuja vontade ignoram, se não coincide com seus interesses. Há sentido nas miríades de “ajudas”, nos fantásticos seguros de saúde, nas generosíssimas viagens e em tudo mais de que desfrutam para mal e pouco trabalhar, isto quando trabalham? Os estrangeiros têm dificuldade em compreender como uma sociedade aceita esse deboche deslavado, que ainda lhe é impingido com arrogância e ostentação de poder. Não acho de todo descabida a semelhança que vejo entre esses privilégios e os da corte de Luís XIV, na França do século 18. De fato, como já disse aqui, o Estado entre nós não é o rei, que não temos; mas o Estado entre nós é dos governantes e a soberania é deles, respeitados os donos da economia.

No serviço público, a falta de compostura e o nepotismo, embora hoje disfarçado pelos intrincados laços familiares dos brasileiros, são a regra. O que é público não é de ninguém, começando pelo material de escritório levado para casa e terminando pelos cartões corporativos. Ocupantes de cargos públicos de relevância se associam secretamente a empresas de “consultoria” e assim ganham fortunas, fazendo na verdade advocacia administrativa e tráfico de influência.

Egressos do serviço público caem na mesma prática, pois o serviço público aqui não é para o público, mas para quem o presta, ou alega prestar. O serviço público é uma oportunidade para “se fazer”. Comportam-se assim até os menos rapineiros, que se contentam em “colocar” um filho aqui ou acolá, ou bem encaminhar seu futuro depois da política, apesar de já bastante acolchoado por aposentadorias magnânimas e benesses liberais.

E ninguém, afinal, é punido por nada. Se antes isso se aplicava somente aos ricos e poderosos, agora vale para todos. A melhor maneira de matar alguém no Brasil é ficar bêbado, pegar o carro e atropelar a vítima. Aí o atropelador se recusa a usar o bafômetro e vai para casa, responder a processo em liberdade, para, no caso difícil de vir a ser condenado, cumprir a pena também em liberdade. Embriaguez pode até virar atenuante, surto psicótico. Matar gente, aliás, é cada vez mais fácil, talvez mais que roubar. Matar bicho nem tanto, mas pega mal o sujeito sair dizendo que está sob a proteção do Ibama.

É por essas e outras que eu digo: vamos parar com essa enrolação toda, que chega a nem ficar bem, parece sabotagem com a Seleção. Não já estamos exaustos de saber que, em ocasiões semelhantes, meteram a mão na granolina para valer? Não é assim que se faz e sempre se fez neste país, como costumava lembrar um grande líder nosso? Então vamos liberar logo essa grana e sossegar a rapaziada, corrupto também fica estressado. E, afinal de contas, não somos assim tão bestas, pensam que estão nos enganando, mas não estão. Nós sabemos de tudo e não somos bobos, somos apenas omissos, submissos, cínicos e cada vez mais moralmente insensíveis – ninguém é perfeito.

Autor: João Ubaldo Ribeiro

NOTA DO BLOG:

Este texto foi publicado no “Estadão” em 17 de Julho de 2011 (domingo) e replicado em outras mídias impressas e blogs na web. É claro, cristalino e diz a verdade, o que justifica a sua inclusão também aqui no Idade Certa.

Será que não seria melhor perdermos? A Copa América começa com uma escrita: nunca o campeão levantou a Copa do Mundo em seguida. (rsrsrs)

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Dos 19 títulos da Copa do Mundo, 10 ficaram com nações da Europa e 9 foram conquistados por países da América do Sul. São cinco do Brasil, dois da Argentina e outros dois do Uruguai.

Pioneiro na realização de torneios continentais de seleções, ao criar, em 1916, a Copa América, o pedaço de terra colonizado na maior parte por espanhóis e portugueses hospeda, há quase um século, uma maldição: jamais em 42 edições e 95 anos de história o campeão conquistou, logo em seguida, o Mundial da Fifa.

A urucubaba já fez sete vítimas: Argentina, Brasil, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Peru e Colômbia. Nos anos seguintes ao título, aconteceu de tudo um pouco.

Campeã de 1929, a Argentina perdeu a final da Copa do Mundo de 1930 para o Uruguai. Dono do pedaço em 1967, o Uruguai rodou diante do Brasil em 1970. Mesmo de posse do troféu continental, Paraguai, Peru, Bolívia e Colômbia chegaram a ficar fora da festa organizada pela Fifa. Mas não há uma seleção mais perseguida do que a brasileira, anfitriã da Copa de 2014.

A lembrança mais dolorosa faz 61 anos. Melhor da América em 1949, dentro de casa, o escrete canarinho perdeu a chance de ganhar o mundo na tragédia batizada de Maracanazzo, em 1950.A 43ª edição da Copa América começa hoje fazendo a pergunta que não quer calar: quem assumirá o desafio de levar a taça para casa a fim de exorcizar a maldição em 2014?

São 12 candidatos: 10 da América do Sul e dois convidados das Américas Central e do Norte. Anfitriã pela nona vez, a Argentina é a favorita. Campeã seis vezes em seus domínios, a seleção abençoada por ter o melhor do mundo, Lionel Messi, em seu elenco, só viu o Uruguai dar a volta olímpica dentro do seu território.

Cabe à nova geração liderada por Mano Menezes e pelos pés-quentes de Neymar e Paulo Henrique Ganso assumir o papel de exorcista e dar um basta em quase 100 anos de maldição.

Fonte: Correio Braziliense