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Caetano Veloso prova que Marco Feliciano é um mentiroso. Cantor responde os ‘ataques oportunistas e descontrolados’ do deputado federal que recentemente associou o sucesso de Caetano a um pacto com o demônio

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Nem estou acreditando que volto ao assunto do pastor/deputado/presidente da CDHM. Mas, como muitos devem ter visto, ele mentiu reiterada e estridentemente sobre mim. Há um vídeo no YouTube [ver aqui] em que Feliciano, esbravejando de modo descontrolado, diz-se com Deus contra o diabo e, para provar isso, mente e mente mais.

As pessoas religiosas deveriam observar o quanto ele está dominado pela soberba. Faz pouco, ele se sentiu no direito de julgar os vivos e os mortos, explicando por meio de uma teologia grotesca a morte dos garotos dos Mamonas e sagrando-se justiçador de John Lennon.

Agora, aferra-se à mentira. Meu colega Wanderlino Nogueira notava, com ironia histórica sobre as espertezas da igreja católica, que a mentira não está entre os sete pecados capitais. Mas sabemos que “levantar falso testemunho” é condenado pelo Deus de Moisés.

Por que mentir tão descaradamente sobre fatos conhecidos? Será que minha calma observação, aqui neste espaço, de que sua persona pública é inadequada ao cargo para o qual foi escolhido (matizada pela esperança no papel das igrejas evangélicas) o ameaça tão fortemente?

Eu diria a pastores, padres, rabinos ou imãs — sem falar em pais de santo e médiuns espíritas, que são diretamente agredidos por ele — que atentassem para o comportamento de Feliciano: como pode falar em nome de Deus quem mente com tão evidente consciência de que está mentindo?

Sim, porque não há, dentre aqueles que prestam atenção no meu trabalho, quem não saiba que, ao cantar a genial canção de Peninha “Sozinho” num show, eu indefectivelmente dizia não apenas que me apaixonara por ela através das gravações de Sandra de Sá e de Tim Maia: eu afirmava que cantá-la ao violão era só um modo de chamar a atenção para aquelas gravações.

                                                    SANDRA DE SÁ E TIM MAIA

Como pode Feliciano dizer que “a imprensa foi rastrear” e descobriu que a música já tinha sido gravada por Sandra e Tim? Essas duas gravações eram sucessos radiofônicos. E como pode ele, sem piedade daqueles que com tanta confiança o ouvem em seu templo, afirmar que eu disse em entrevista coisa que nunca disse e nunca diria, ou seja, que o êxito inesperado de minha versão de “Sozinho” se deveu a eu ter mostrado a faixa a Mãe Menininha e esta ter-lhe posto uma bênção que, para Feliciano, seria trabalho do diabo? Mãe Menininha, figura importante da história cultural brasileira, já tinha morrido fazia cerca de dez anos quando gravei a canção.

É muita loucura demais. E muita desonestidade. Aprendi com meu pai os gestos da honestidade — e tomei o ensinamento de modo radical. Me enoja ver a improbidade. Feliciano sabe que eu nunca dei tal entrevista. Mas não se peja de impressionar seus ouvintes gritando que eu o fiz. Ele, no entanto, não sabe que eu jamais sequer mostrei qualquer canção minha à famosa ialorixá. Nem a Nossa Senhora da Purificação eu peço sucesso na carreira. Nunca pedi. Nem a Deus, nem aos deuses, e muito menos ao diabo. Decepciono muitos amigos por não ser religioso. Mas respeito cada vez mais as religiões. Vejo mesmo no cristianismo algo fundamental do mundo moderno, algo inescapável, que é pano de fundo de nossas vidas. Mas não sou ligado a nenhuma instituição religiosa. Eu me dirigiria aqui àqueles que o são.

Os homens crentes devem tomar atitude mais séria em relação a episódios como esse. O que menos desejo é ver o Brasil dividido por uma polaridade idiota, em que, de um lado, se unem os que querem avanços nos costumes, e de outro, os que necessitam fundamentos de fé, ambos gritando mais do que o conveniente, e alguns, como Feliciano, saindo dos limites do respeito humano.

Eu preferiria dialogar com crentes honestos (ou ao menos lúcidos). Não aqueles que já se põem a uma distância segura da onda neopentecostal. Eu gostaria de dialogar com um Silas Malafaia, de quem tanto discordo, mas que respeita regras da retórica e da lógica.

Marina Silva seria ideal, mas poupemo-la. Não é preocupante, eu perguntaria a alguém assim, que um dos seus minta de modo tão escancarado?

É fácil provar que nunca fiz aquelas declarações e é fácil provar que Sandra e Tim tiveram êxito com a obra-prima de Peninha. E que eu louvei esse êxito ao cantar a canção. Foram dezenas de milhares de brasileiros que ouviram.

Se Feliciano precisa, para afirmar sua postura religiosa, criar uma caricatura caluniosa dos baianos e da Bahia, algo é muito frágil em sua fé. A maré montante do evangelismo não dá direito à soberba irrefreada. O boneco tem pés de barro. E cairá. Eu creio na justiça e na verdade. Esses valores atribuídos a Deus têm minha adesão irrestrita. Não sei que Deus sustenta a injustiça e a mentira. Ou será que é aí que o diabo está?

(do blog de Caetano Veloso)

NOTA DO BLOG:

Não é por acaso que cada vez admiro mais esse brilhante compositor, cantor e acima de tudo bom brasileiro, Caetano Emanuel Viana Teles Veloso, mais conhecido por Caetano Veloso.

RECORDANDO:

SOZINHO (Peninha)

Às vezes no silêncio da noite
Eu fico imaginando nós dois
Eu fico ali sonhando acordado
Juntando o antes, o agora e o depois

Por que você me deixa tão solto?
Por que você não cola em mim?
Tô me sentindo muito sozinho

Não sou nem quero ser o seu dono
É que um carinho às vezes cai bem
Eu tenho meus desejos e planos secretos
Só abro pra você mais ninguém

Por que você me esquece e some?
E se eu me interessar por alguém?
E se ela, de repente, me ganha?

Quando a gente gosta
É claro que a gente cuida
Fala que me ama
Só que é da boca pra fora

Ou você me engana
Ou não está madura
Onde está você agora?

Quando a gente gosta
É claro que a gente cuida
Fala que me ama
Só que é da boca pra fora

Ou você me engana
Ou não está madura
Onde está você agora?

PARA ESTE NÉSCIO, ATÉ CAETANO VELOSO TEM “PARTE COM O DIABO”.

terça-feira, 16 de abril de 2013

LIGUE O SOM, CLIQUE, ABRA A TELA, VEJA E RESPONDA: UM PAÍS QUE TEM ESSE SUJEITO COMO PRESIDENTE DE UMA COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS E MINORIAS PODE SER CONSIDERADO UM PAÍS SÉRIO?

NÃO CREIO NESSE DEUS!

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Não sei se és parvo se és inteligente
— Ao desfrutares vida de nababo
Louvando um Deus, do qual te dizes crente,
Que te livre das garras do diabo
E te faça feliz eternamente.

II

Não vês que o teu bem-estar faz d’outra gente
A dor, o sofrimento, a fome e a guerra?
E tu não queres p’ra ti o céu e a terra..
— Não te achas egoísta ou exigente?

III

Não creio nesse Deus que, na igreja,
Escuta, dos beatos, confissões;
Não posso crer num Deus que se maneja,
Em troca de promessas e orações,
P’ra o homem conseguir o que deseja.

IV

Se Deus quer que vivamos irmãmente,
Quem cumpre esse dever por que receia
As iras do divino padre eterno?…
P’ra esses é o céu; porque o inferno
É p’ra quem vive a vida à custa alheia!

por António Aleixo, em “Este Livro que Vos Deixo…”

NOTA DO BLOG:

Se o brilhante poeta portugês permitir, também ASSINO esta poesia.

Somos injustos com o diabo

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Um dia o Diabo disse: “O Que é isso? Que injusto! Façam o que fizerem as pessoas, sempre que algo mau acontece, colocam a culpa em mim. Que culpa tenho eu? Sou inocente! Olha, te mostrarei como me culpam por tudo”.

Havia um forte carneiro preso a uma corda, que por sua vez, estava amarrada a uma estaca.

O Diabo afrouxou a estaca e disse: “Isto é tudo o que vou fazer”.

O carneiro deu um puxão e arrancou a estaca do chão.

A porta da casa de seu proprietário estava aberta e, na entrada, havia um formoso espelho, enorme e antigo. O carneiro viu seu reflexo no espelho, abaixou a cabeça e atacou. O vidro ficou destroçado.

A dona da casa correu escadas abaixo e viu seu formoso espelho, que havia estado na família durante anos, completamente destroçado.

Enfurecida, gritou aos empregados: “Cortem a cabeça desse carneiro! Matem-no!”. Assim, os empregados mataram o animal.

Porém aquele carneiro era um animal especialmente querido de seu marido, que lhe havia dado de comer em sua mão quando era pequenino.

Assim que ao chegar em casa achou a seu formoso carneiro morto. “Quem teria lhe matado? Quem poderia ter feito algo tão terrível?”.

Sua mulher gritou: “Eu matei teu carneiro. E fiz isso porque ele havia destruído esse espelho tão lindo que havia sido um legado de meus pais”.

O marido, irado, replicou: “Nesse caso, me divorcio de ti”.

Os fofoqueiros da vizinhança disseram às irmãs da mulher que seu marido ia divorciar-se dela por causa do carneiro que ela havia matado.

Os irmãos ficaram furiosos.

Reuniram seus parentes e saíram para buscar o marido, armados com fuzis e espadas.

O marido escutou que eles estavam vindo e chamou a seus próprios parentes para defendê-lo.

As duas famílias começaram uma disputa onde muitas casas foram queimadas, e morreram muitas pessoas.

O Diabo disse: “Vês? Que fiz eu? Apenas movi a estaca.

Por que vou ser o responsável por todas as coisas terríveis que eles fizeram uns aos outros? Eu apenas afrouxei um pouquinho a estaca”.

Vigia tua estaca.