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Pensamento do dia: “Democracia é quando eu mando em você; ditadura é quando você manda em mim.” (Millor Fernandes)

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

O HEROI BRAVATEIRO

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Nada mais ridiculo do que o José Dirceu, posando de “heroi” que lutou contra a ditadura. Menos…

O Zé, participou de um congresso estudantil em Ibiúna, foi preso, e um mês depois foi solto, com outros prisioneiros, em troca do embaixador americano que fora sequestrado.

Ficou em Cuba, onde – segundo ele – aprendeu técnicas de guerrilha; técnicas, aliás, que nunca utilizou contra o regime militar.

Anos mais tarde, voltou, clandestinamente ao Brasil e instalou-se no Paraná, com nome falso, e com o rosto modificado por uma providencial operação plástica!

Vindo a anistia, declarou a verdadeira identidade a sua paranaense esposa, e começou a contar lorotas sobre a sua “atuação” de defensor da democrcia…

O final da bravata do “heroi nacional” é de conhecimento público: por ordens do apedeuta, montou um sofisticado esquema de compra de apoio de parlamentares, no que resultou na ação 470, ou mais popularmente conhecida, como Mensalão!

Condenado a apenas 10 anos de cadeia, devia dar-se por satisfeito, pois o Marcos Valerio, que obedecia ordens do nosso “heroi” foi agraciado, injustamente a meu ver, com 40 anos de reclusão!

Não conheço o regulamento do STF, mas me parece, que até antes da conclusão do julgamento, os juizes podem modificar seus votos. Fica a sugestão: que tal dobrar a pena do bravateiro?

por Carlos Vereza

O brilhantismo de OSCAR NIEMEYER, segundo o brilhante jornalista HELIO FERNANDES. O texto abaixo intitula-se: Oscar Niemeyer, o arquiteto da Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Ele morreu ontem, às 21,55, e às 22 horas as televisões já haviam mudado toda a programação. Avançaram na noite como Niemeyer avançou na genialidade. Niemeyer não era apenas o gênio do traço e da criação, era um extraordinário ser humano, daí a razão de eu ter colocado como título as três palavras-chave da Revolução Francesa.

Começou muito cedo, eclético, sabendo que seu destino, futuro e existência, estava indissoluvelmente ligado à criação e à humanização de tudo saía de sua prancheta. Em 1936, com pouco mais de 30 anos, foi convidado pelo Ministro da Educação (Gustavo Capanema), para fazer parte de um grupo de 10 arquitetos que realizariam a obra revolucionária, daqueles tempos e até hoje: o fabuloso projeto do Ministério. Maravilha.

Foram buscar na França o mais velho e já ultrafamoso Corbusier, para “supervisionar” o projeto. Ele veio, gostou tanto do País que ficou 15 dias. Levado ao Ministério, ficou assombrado, e comentou: “Não há o que supervisionar. Nunca vi nada mais perfeito”, E foi para a Praia de Copacabana uma de suas admirações.

PERFEIÇÃO

Estava corretíssimo. O Ministério da Educação nasceu perfeito, admirável e encantador.

Niemeyer não parou mais, criando, expondo, executando. Em várias partes do mundo, e aqui no Brasil. Só que ele mesmo não sabia que eram anos de plantação. Exatamente 20 anos depois, nos primeiros dias de janeiro de 1956, antes mesmo da posse de Juscelino, desembarcaria naquele espantoso e vasto deserto, que transformaria em Brasília, a mais sensacional das capitais do mundo.

Aquele deserto transformou-se em Novação, se constituiu no maior escândalo de todos os tempos. Aquele deserto foi doado a privilegiados de todos os privilégios. E se ética, moral, política e administrativamente Brasília é o que é, o arquiteto genial não tem nada com isso).

A primeira intuição-constatação de Niemeyer resultou numa construção arrojada, audaciosa e salvadora: a criação do lago Paranoá. Niemeyer “viu” logo que sem água, com aquele clima, quem se atrevesse a ir para lá, morreria torrado.

Imediatamente começou a levantar um lugar para trabalhar. Fez uma construção longa e horizontal, logo identificada como “Catetinho”. Moravam, planejavam e executavam, todos naquele local. E por decisão e convicção do próprio arquiteto, o espaço foi dividido com os trabalhadores. Niemeyer não admitia nem permitia discriminações.


PRAÇA DOS TRÊS PODERES

Foram anos satisfatórios e impiedosos de trabalho 24 horas por dia. Mas o resultado ia aparecendo logo. Niemeyer planejava, executava, mas também rotulava. Ele já havia decidido: o centro de tudo, a concentração geral seria a Praça dos Três poderes.


Quiseram chamar de Praça Central. Obstinado, Niemeyer se consolidou no nome que escolhera. E hoje, não existe a menor dúvida, o centro de Brasília está ali, o Executivo, Legislativo e Judiciário coabitando e cumprindo o que está na Constituição.

É um milagre que Brasília, surgindo do nada e do inexistente, chegasse aos 50 anos cada vez bonita e glorificando seu criador. Os nomes do Planalto e Alvorada foram criação de Niemeyer. Quando estava quase tudo pronto, o arquiteto deixou Brasília, foi criar pelo mundo.

Fez a sede da ONU, glória espantosa, reverenciada com os murais de Portinari, dois brasileiros admirados pelo mundo. Em Paris, fez a belíssima sede do Partido Comunista, sem cobrar um franco que fosse. Em Roma, executou o projeto para instalação da sede da Mondadore (foto ao lado) a maior editora da Itália. Lindíssima. Toda vez que ia a Roma, me empolgava com a genialidade. A última vez que vi foi em 1990, na Copa do Mundo da Itália. Infelizmente, a editora foi comprada pelo ex-Primeiro-Ministro Silvio Berlusconi, seguramente o maior corrupto do mundo.

O AMIGO DE PRESTES

Nos anos 50, antes de Brasília, almoçávamos muito num restaurante de comida caseira, na Avenida Atlântica de antigamente. Nesse tempo, Oscar tinha escritório na Lapa, na rua que fica atrás da Sala Cecília Meirelles (uma das paixões de Carlos Lacerda, a poetisa e a Sala em homenagem a ela).

Quando o Partido Comunista ganhou a legalidade, Prestes (foto ao lado) voltou para o Brasil, Mas não tinha onde morar. Niemeyer, sem a menor hesitação, deu para ele o escritório da Rua Joaquim Silva. Já morava na Estrada das Canoas, numa casa que construiu para ele mesmo. Belíssima, metade subterrânea, metade admirada por que passava por ali.

Mais tarde foi morar no duplex do fim da Avenida Atlântica, construído em frente onde ficava o antigo Cassino Atlântico. Muitos anos depois, fundiu o escritório com a residência. Era enorme, mas impossível de agregar as dezenas de amigos que estavam presentes diariamente.

Pode-se dizer que mesmo tendo ultrapassado os 100 anos, não deixava de trabalhar. Sua fascinação era o traço, que mais do que uma criação, parecia obsessão, mas na verdade era obstinação.

EM BRASÍLIA

Para Niemeyer, Brasília nunca estava pronta. Sempre encontrava alguma coisa para completar ou corrigir. Na primeira vez que voltou à capital, foi “dar uma volta” para conferir como estavam as coisas. Na Câmara dos Deputados, estarrecido e assombrado, viu o que os deputados haviam feito.
Toda a obra de Niemeyer privilegia grandes espaços públicos. Na Câmara não foi diferente. Corredores larguíssimos, gabinetes muito menos. Os deputados não tiveram dúvida: removeram as divisões, fragilíssimas, aumentaram seus gabinetes. Oscar procurou o presidente da Câmara e fez a proposta, logo aceita. Sem cobrar nada, daria mais espaço aos deputados, refazendo a grandeza dos corredores.

P S – Nada mais sensato e até obrigatório, que o velório de Niemeyer fosse no Planalto. Assim, centenas de milhares de pessoas pudessem se despedir dele.

PS 2 – Logicamente não pude ir. Mas aqui no meu escritório, uma criação dele, de 1978, e a dedicatória do próprio punho: “Um dia o povo ouvirá o que tem de ouvir, e terá respeitada a Liberdade e os direitos humanos”. Num quadro, uma foto do repórter saudado o gênio, no Tribunal de Justiça. Mas na verdade, o espanto geral foi com os 20 minutos, sem interrupção, de reminiscências do próprio Oscar.

PS 3 – Niemeyer foi preso pela ditadura, não ficou um dia. Começaram a interrogá-lo: “O senhor é comunista?”. Oscar disse um palavrão imortal, respondendo: “Vocês sabe, então por que a idiotice da pergunta?”. Saíram da sala, logo depois era solto.

PS 4 – Se Niemeyer fosse torturado e morto, a ditadura teria acabado ali, não sobreviveria à repercussão nacional e internacional. Muito não conheciam o episódio, incluindo o palavrão. No Tribunal de Justiça, nunca um palavrão foi tão retumbantemente ovacionado.

por Helio Fernandes (Tribuna da Internet)

“SOU VELHO MAS NÃO SOU VELHACO”. Frase frequentemente repetida pelo saudoso Ulysses Guimarães e que não pode ser dita por muitos políticos da atualidade.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Aqui vão mais algumas frases pronunciadas em diferentes ocasiões pelo  Dr. Ulysses Silveira Guimarães, um dos maiores políticos brasileiros:

Enquanto houver norte e nordeste fraco, não havera estado forte, pois o país será fraco.

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Eu tenho ódio e nojo à ditadura.

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Em política, estar com a rua não é o mesmo que estar na rua.

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Enquanto houver cachaça, samba, carnaval, mulata e campeonato de futebol, não haverá rebelião no Brasil. O coríntians segura mais o povo do que a Lei de Segurança Nacional.

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A liberdade de expressão é apanágio da condição humana e socorre as demais liberdades ameaçadas, feridas ou banidas. É a rainha das liberdades, disse Rui Barbosa.

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O MDB é como pão-de-ló: quanto mais bate, mais ele cresce.

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Adoro as campanhas políticas. Dão-me transporte, de comer e de beber, o melhor quarto da casa, aplausos, votos, e ainda me chamam de estadista.

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Que acho da Arena? Não acho, pois a Arena não é. Não é Partido, é papel carbono, não é voz, é eco, é vaca de presépio do serviçal e eterno ’sim senhor’.

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O Presidente Geisel é ventríloquo e a Arena é seu boneco mais obediente, famoso e hilariante pelo humor negro.

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E para encerrar:

Não se pode fazer política com o fígado, conservando o rancor e ressentimentos na geladeira. A Pátria não é capanga de idiossincrasias pessoais. É indecoroso fazer política uterina, em benefícios de filhos, irmãos e cunhados. O bom político costuma ser mau parente.


Defesa de José Dirceu cita a luta contra a ditadura para tentar diminuir a sua pena. CERTO, ENTÃO FICA COMBINADO ASSIM: O ADVOGADO DO ESTUPRADOR PODERÁ PEDIR DIMINUIÇÃO DE PENA, POR ELE TER SIDO UM “BOM ESCOTEIRO”.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

NOTA DO BLOG:

Os mensaleiros não estão sendo julgados pela sua vida pregressa, mas sim, pelo “roubo”do dinheiro do povo que poderia ter sido utilizado em projetos sociais e não para “comprar parceiros”  com o intuuito de  manter o poder.

A ditadura do politicamente correto

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

“A unanimidade é burra.” (Nelson Rodrigues)

Ninguém insiste tanto na conformidade como aqueles que advogam “diversidade”. Sob o manto de um discurso progressista jaz muitas vezes um autoritarismo típico de pessoas que gostariam, no fundo, de um mundo uniforme, onde todos rezam o mesmo credo.

A Utopia de More, a Cidade do Sol de Campanella, a República platônica, enfim, “um mundo melhor é possível”. Se ao menos todos abandonassem o egoísmo, a ganância, e se tornassem almas conscientes e engajadas…

Mesmo se for preciso “forçar o indivíduo a ser livre”, como defendeu Rousseau (foto abaixo), esse parece um preço aceitável a se pagar pelo sonhado “progresso”. Foi com base nesta mentalidade que milhões de inocentes foram sacrificados no altar de ideologias coletivistas.

Atualmente, os “progressistas” buscaram refúgio em novas seitas, mas a meta continua a mesma: “purificar” a humanidade e criar um paraíso terrestre onde todos serão igualmente “felizes” e “saudáveis”.

A obsessão pela saúde e pela felicidade, assim como a ditadura do politicamente correto são claramente sintomas da modernidade. Vivemos na era da covardia, onde poucos têm coragem de se levantar contra o rebanho. Estamos sob o controle dos eufemismos, com a linguagem sendo obliterada para proteger os mais “sensíveis”. Todos são “especiais”, o mesmo que dizer que ninguém o é.

Chegamos à era do conformismo: ninguém pode desviar do padrão definido, pois as diferenças incomodam muito. Todos devem adotar a mesma cartilha “livre de preconceitos”.

Até mesmo o Papai Noel já foi vítima desta obtusa mentalidade. A obesidade é um problema de saúde preocupante no mundo. Um dos culpados? Sim, o Papai Noel.

Um médico australiano chegou a afirmar que Papai Noel é um “pária da saúde pública”, e seria melhor se ele fosse retratado sem aquela “pança”, sua marca registrada. Afinal, o bom velhinho é um ícone da garotada, e no mundo atual não fica bem um barrigão daqueles influenciando as crianças. Papai Noel “sarado”, eis um típico sinal dos tempos.

Qualquer pessoa com mais de 30 anos deve recordar daqueles cigarros de chocolate que as crianças adoravam no passado. Isso seria impensável hoje em dia. Chocolate, e ainda por cima em forma de cigarro? Seria politicamente incorreto demais para o mundo moderno. Diriam que as crianças vulneráveis seriam fumantes compulsivas, tal como acusam filmes e jogos violentos pela violência.

Pensar na possibilidade de que os próprios pais devem educar seus filhos, impondo limites e dizendo “não”, parece algo estranho demais para os engenheiros sociais da atualidade. As “crianças mimadas”, os adultos modernos, preferem delegar a função ao governo, que será responsável pela “pureza” das propagandas. Quem precisa de liberdade de escolha quando se tem o governo para controlar nossas vidas?

Parte importante da liberdade é o direito de cada um ir para o “inferno” à sua maneira. O alimento de um pode ser o veneno do outro. Esta variabilidade humana nos impõe a necessidade da liberdade individual e da tolerância.

Ninguém sabe qual o desejo do outro. Infelizmente, estamos vivendo cada vez mais sob a ditadura da maioria. O paraíso idealizado pelos “progressistas” seria um mundo com tudo reciclado, pessoas vestindo roupas iguais, comendo apenas alimentos orgânicos, e andando de bicicleta para cima e para baixo.

Paradoxalmente, os “progressistas” odeiam o progresso!

É neste preocupante contexto que chegamos ao fim de mais uma década. Ao longo do processo, alguns indivíduos ousaram remar contra a maré, mesmo que não passassem de vozes isoladas em meio às multidões. Entre os brasileiros, tivemos figuras como Paulo Francis (foto ao lado) e Nelson Rodrigues, sempre lutando contra a imposição dos medíocres, derrubando os velhos chavões populistas. Seguindo esta tradição, o filósofo Luiz Felipe Pondé lançou o livro, “Contra um Mundo Melhor”, que pode ser visto como um antídoto amargo a esta doença moderna.

A frase que abre o primeiro ensaio já dá o tom da obra: “Detesto a vida perfeita”.

Pondé liga sua metralhadora giratória contra todas as mais nobres bandeiras politicamente corretas, desnudando-as e expondo sua hipocrisia. Numa época em que o homem é praticamente obrigado a ser “feliz”, ainda que seja à base de Prozac, os ataques mal-humorados de Pondé servem para alertar sobre os enormes perigos desta trajetória, tal como Huxley havia feito com seu “Admirável Mundo Novo”.

Que saibamos desconfiar mais da cruzada moral dos “progressistas” e sua retórica politicamente correta.

por Rodrigo Constantino

Ditadura ameaçou matar filho de Milton Nascimento

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

A ditadura militar acabou, mas ainda é uma ferida aberta para Milton Nascimento.

“Fui proibido de ver o meu filho. Se eu me encontrasse com ele, falavam que iam matá-lo. Fiquei quase 20 anos [sem vê-lo]“, conta. “Ninguém entendia. Mas eu não podia falar com ninguém. Eles queriam me maltratar. Se eu falasse com alguém –não sei como ficavam sabendo–, ameaçavam aquela pessoa. Fiquei calado muito tempo. Comecei a beber”.

Milton faz o desabafo à Serafina em sua casa incrustada num morro na Barra da Tijuca, no Rio. Seu filho, Pablo, nascido há 40 anos, é fruto do relacionamento com a socialite paulistana Káritas. O músico conta que foi ameaçado por Erasmo Dias (1924-2010) (foto ao lado), então secretário de Segurança de São Paulo.

Mas não quer aprofundar o assunto. Acha perigoso, teme represálias. “A situação melhorou. Mas o pessoal [que o ameaçou] ainda está aí, vivo. Prefiro deixar a coisa passar mais um pouco para poder falar sobre tudo”, afirma.

Milton fala que parou de beber num dia que viu pessoas bonitas e alegres na praia. “Falei: essa coisa não merece que eu me mate. Parei de beber e fiquei três dias na cama. Até que sentei, vi que não estava tremendo nem tonto. No dia seguinte, fui dirigindo para Três Pontas”, recorda.

A história de Milton durante a ditadura também teve censura e racismo. O seu “Milagre dos Peixes” (de 1973, que contém a música “Pablo”) virou um disco quase instrumental depois da tesoura imposta. “Era muito perseguido. Fui chamado várias vezes”, diz.

Numa delas, agentes do Dops queriam que ele desmentisse uma declaração sobre racismo. Milton tinha visto a filha do músico Paulo Moura (foto ao lado) ser barrada, por ser negra, em um clube em Copacabana. Protestou e denunciou à imprensa.

“Diziam que no Brasil não tinha racismo. Não desmenti porque estava do lado da menina, vi tudo”. Ele próprio foi barrado. “Em muitos lugares não me deixavam entrar por ser negro”, afirma.

Filho de uma empregada doméstica, Milton nasceu no Rio em 26 de outubro de 1942. Sua mãe biológica morreu de tuberculose quando ele tinha menos de dois anos. O pai ele nunca conheceu.

Órfão, foi adotado pela filha recém-casada da família da casa onde sua mãe trabalhara. Mudou-se com os novos pais para Três Pontas, Minas.

“Minha mãe [adotiva] sofreu muito. Ela casou com um cara e dois meses depois apareceu com um filho negro”.

Aos quatro anos, recebeu de sua madrinha seu primeiro instrumento: uma sanfona, relíquia que guarda até hoje.

Milton estudou contabilidade no segundo grau e desistiu do vestibular para economia. Queria ser músico e astrônomo. “Não tinha faculdade de astronomia em Belo Horizonte. Então continuei só com a música”. Mas mantém, até hoje, um telescópio no Rio e outro em Três Pontas.

O caminho da música não foi fácil. O final dos anos 1960, em São Paulo, ele lembra como uma época triste. “Não era chamado para nada”.

É TUDO VERDADE

Foi quando teve uma experiência num centro espírita. Relata ter visto uma “entidade” em 1967. “Ela falou que eu não podia ser triste porque muita gente ia precisar de mim. Disse que em tantos dias iria acontecer uma coisa que eu nem iria acreditar. E em tantos dias eu estava no Maracanazinho defendendo ‘Travessia’”, afirma.

Hoje, acredita “em tudo”. Além do espiritismo, já teve contato com o candomblé. “Fui criado na religião católica. Era coroinha, um dia briguei com o padre e resolvi não seguir mais o catolicismo”, explica.

O rompimento precoce não impediu que, mais tarde, ele realizasse a “Missa dos Quilombos” (1982), com dom Pedro Casaldáliga e Pedro Tierra, tratando de escravidão e preconceito. As temáticas latino-americanas, dos povos indígenas e da ecologia passaram a ser objeto de sua criação.

Milton está comemorando 50 anos de carreira e 40 do Clube da Esquina, o movimento mineiro que embalou gerações. Voz da campanha das Diretas (“Menestrel das Alagoas”, 1983), fez campanha por Tancredo Neves. Hoje quer distância da política.

Mas confia muito em Dilma. Há pouco tempo, localizou numa foto antiga a moça que viria a se tornar presidente. “Ela era muito ligada. A gente se reunia, ia aos bares”.

E gosta de namorar. Mas está sozinho no momento. “Agora, estou viajando. Mas não posso viver sem namorar. Não posso, nem quero”, fala.

E encara com naturalidade rumores sobre sua homossexualidade. “Não ligo para isso. Acho que ninguém tem nada a ver com nada”.

Em 1989, Milton compôs a música “River Phoenix (Carta a um Jovem Ator)” em homenagem ao jovem loiro e bonito que descobriu quando via filmes na TV em um hotel em Nova York em 1988. Tornaram-se amigos e trabalharam juntos no álbum “Txai” (1990). River (ao lado) veio ao Brasil em 1992, um ano antes de sua morte.

Neste ano, Milton já escreveu sete letras (uma delas em homenagem a Portinari). Em 2013, sai um novo CD. E ainda esse ano, um DVD. Continua com o pé na estrada. É fazendo shows que ganha dinheiro. “Gosto de viajar.” Os namoros ficam para depois.

Às vésperas de completar 70 anos, Milton Nascimento comemora cinco décadas de carreira.

Fonte: Revista Serafina (Folha de SP)

VAMOS CURTIR “TRAVESSIA”?

Pensamento do Dia: “Decidiu a Comissão da Verdade só investigar crimes contra os direitos humanos praticados por agentes do Estado, durante os anos de chumbo da ditadura militar. Não houve unanimidade na decisão, apesar de tratar-se de uma reivindicação do governo. É claro que tortura, sequestros, assassinatos e sucedâneos verificados pelos que deveriam sustentar a lei e a ordem chocam sobremaneira a sociedade. Precisariam ter sido punidos, mas a transição da ditadura para a democracia não permitiu. Mesmo assim, fica uma dúvida: assassinar, sequestrar e torturar de um lado, pode. Só do outro é que não?” (Carlos Chagas, jornalista)

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

NOTA DO BLOG:

É a chamada COMISSÃO DA MEIA-VERDADE